Reequilíbrio na educação

A área de educação deve merecer atenção especial do futuro governo, a fim de superar a situação caótica

Extenso levantamento sobre o caos na Educação do Estado foi apresentado nessa segunda-feira (26) ao secretário que tomará posse em janeiro de 2019, Vitor de Angelo, pelo deputado estadual Sergio Majeski (PSB), inicialmente cotado para assumir o posto por ser especialista da área e ter demonstrado, ao longo do seu mandato, conhecimento da realidade local.

Embora seja um dos setores mais importantes no desenvolvimento de uma sociedade, em todos os níveis e áreas de atuação da atividade humana, a educação passa um processo permanente de deterioração, consequência direta do avanço de conceitos de lucratividade do gerenciamento empresarial, que vem alterando metodologias e normas, com altos prejuízos a alunos, professores e, por fim, a toda a comunidade. 

Como professor e cientista politico conhecido por suas posições de vanguarda, o futuro secretário de Educação tem a oportunidade de alterar o atual quadro caótico, registrado nos centros urbanos e no campo, especialmente os locais mais afastados dos núcleos de decisão relacionadas às políticas públicas aprovadas e colocadas em prática de forma autoritária, em que não existe o diálogo.  

Tema martelado em encontros de especialistas e mesas de estudos, as distorções na educação no Espírito Santo incluem a não aplicação pelo governo,  desde 2012, do mínimo constitucional de 25% do orçamento em educação. Mesmo assim, os dados maquiados ganharam aprovação do Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Informações dando conta de que  200 mil jovens entre 18 e 29 anos não concluíram a Educação Básica e ainda 61 mil de 4 a 17 anos estão fora da escola foram levadas ao professor Vitor de Angelo, sobre quem recairá, também, a solução para valorizar a classe do magistério, reabrir escolas fechadas desde 2014 e superar a redução de vagas no Ensino para Jovens e Adultos (EJA). 

Vale lembrar que o Estado responde a processo por não aplicar o mínimo constitucional na Educação, decorrente de denúncia do Ministério Público Federal (MPF), com enquadramento previsto como crime de prevaricação e improbidade administrativa, situação que deve merecer a atenção do futuro governo.

Vitor de Angelo já se pronunciou sobre a necessidade de alteração no polêmico projeto Escola Viva, projeto vitrine do Governo Paulo Hartung (sem partido), que desde a época em que começou a ser implantado merece críticas de professores, alunos, parlamentares e especialistas na área. 

O próprio governador eleito, Renato Casagrande (PSB), usou as redes sociais no passado para criticar a maneira como o projeto vinha sendo imposto pelo governo do Estado, sem qualquer diálogo com a sociedade. 

Essa falha se transformou em fator conflitante, contribuindo para desgastar o governo perante a  sociedade, tendo em vista os graves prejuízos provocados ao ensino, principalmente na zona rural. 

A chegada de Vitor de Angelo na Sedu representa, para a comunidade escolar, um sopro de esperança. Que o novo secretário surpreenda à frente da pasta nos próximos quatro anos, assim como surpreendeu os capixabas e o próprio mercado político sua escolha para uma área tão significativa e estratégica para o projeto de Hartung, que fez da educação no Espírito Santo mais um negócio lucrativo para o empresariado, ao custo de muita maquiagem e prejuízos à população.

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1 Comentários
  • Juan Carlos Galante , quinta, 29 de novembro de 2018

    São várias as questões na educação capixaba. Hoje, falemos da pior delas talvez, pois que envolve o desgaste físico e mental dos professores que atuam nas escolas mortas. São sete as horas destinadas ao planejamento, parte ex-ante e ex-post a aula e que interfere na qualidade do ensino. Todavia, o profissional do magistério estadual é contratado por 25 horas semanais, dezoito das quais cumpre em sala de aula. Caso possua duas cadeiras perfaz um total de "50 horas semanais" disponibilizando 36 horas aulas semanalmente, uma carga horária maior que as 44 horas permitidas pela Constituição Federal. Mascaram isso, há anos, com dois contratos separados. Nos municípios a situação é pior porque sequer cumprem 1/3 de planejamento. Neles os professores perfazem uma jornada de 40 horas em salas de aulas. Dedução lógica: em ambas as esferas o planejamento é POR FORA. Em outros Estados, DF e na União, a carga horária máxima é de 40 horas semanais com o planejamento POR DENTRO. Sociedade capixaba, isso é urgente: 40 HORAS JÁ PARA OS PROFESSORES! Serão dois contratos de 20 horas cada (ou um apenas), o que aumenta proporcionalmente o valor da hora aula, reduz o número delas, aumenta a oferta de empregos e melhora a qualidade de vida do magistério. Origem do recurso: apliquem os 25% determinados SOMENTE na educação. Por fim, cabe ressaltar que nas escolas "vivas" o contrato já é de 40 horas. "Lei" aprovada pela ALES regulamentou tal injustiça APENAS para os profissionais que atuam nesses tipos de unidades. Além disso, os nobres Deputados Estaduais concederam também um percentual de 40% sobre o salário a título de "dedicação exclusiva".