Relacionamentos modernos

Com a velocidade da informação estabelecida pela internet, o ser não pode fechar os olhos para a velha relação presencial e privada

Nessas primeiras décadas do século 21, a forma de se relacionar sofreu uma alteração estratosférica no mundo. A velocidade da informação com a internet e a febre de redes sociais trouxeram uma nova forma de relacionamento para novas e antigas relações, tanto no âmbito interpessoal quanto no pessoal & institucional e também no empresarial.

As novas relações estabelecidas já nesse novo marco são efetivamente bem resolvidas. A partir do momento que, daqueles milhares de amigos, alguém se torna incômodo ou indesejável, basta a atitude de bloquear para que “o problema” esteja resolvido. 

Já para as antigas amizades, principalmente aquelas mais enraizadas, das quais o tempo de separação física e a distância nunca foram motivo de esfriamento ou distanciamento espiritual e que passaram a ser mais constantes na rede social, a situação já muda bastante.

Ao ser incorporado a uma rede social, o amigo antigo se nivela aos novos, e muitos dos valores construídos migram para esta última, resultando num nivelamento geral da relação cotidiana.

A constatação mais fácil está na data de aniversário, em que as felicitações já não se dão com o mesmo valor que antes, quando aquela lembrança significava a importância do vínculo e da intimidade a ponto de “guardar” a data do aniversário. O papel de lembrar foi incorporado pela rede, que se encarrega de avisar ao coletivo dela. Resulta disso que até o agradecimento já aparece meio padronizado “quero agradecer a todos que dispuseram de algum momento para me desejar....”. 

Além disso, é muito comum que esse amigo antigo, mesmo mantendo o hábito de um telefonema para as felicitações, se sinta constrangido a também “postar” na rede as mesmas felicitações, afinal, enquanto o telefonema é pessoal e privativo, a rede social é a vitrine do aniversariante, que publica o quanto ele é querido.

Já a relação institucional e de consumo ficou bem mais eficiente. Com a facilidade de acesso ao produto e serviço através da rede, a fidelização perdeu sua principal característica ligada à comodidade da proximidade e de relacionamentos já consolidados. O aplicativo tomou conta e, antes do fechamento de qualquer negócio a “consulta pública” indica o mais favorável. Também com as instituições, a transparência pelo acesso fácil à informação trouxe mais cidadania e consciência cidadã.

Contudo, é fundamental não esquecermos que o bom e velho vínculo de relação pessoal e privado ainda é o melhor alimento espiritual do ser humano, que é imanente e transcendente. Imanente por sua autopossessão, autorresponsabilidade e autofinalidade, e transcendente por sua relação com o cosmo e com o diferente de si, lhe abrindo para o mundo, o que o impede de ser idiota no sentido de um ser fechado em si mesmo.

Dialogar, seja pela rede, pessoalmente ou até por atitudes sem palavras relaciona, aproxima e nos faz humanos, às vezes resolvendo grandes problemas. 

Posso exemplificar o diálogo sem palavras com a situação de um quintal com frutas maduras abundantes que é constantemente invadido por estranhos para colher, trazendo um enorme incômodo ao dono, esse, sem explicitar o conflito, dialoga com o invasor apenas dispondo do lado de fora as frutas maduras que lhe sobram.

Eu-tu-nós!

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