Relações promíscuas

Escândalo envolvendo Moro e a Lava Jato deve ser investigado com rigor, como cobram lideranças e instituições locais e nacionais

Antiéticas e imorais. É o mínimo que se pode afirmar sobre as relações promíscuas do então juiz Sergio Moro, atualmente no cargo de ministro da Justiça, o procurador Deltan Delagnoll, coordenador da Lava Jato, e outros integrantes da operação, reveladas pelo The Intercept no último domingo (9).

Não há como colocar panos quentes e muito menos desconsiderar os fatos, sob a justificativa de que foram gerados por meios escusos, quando existe farto material comprobatório da utilização desses mesmos meios no decorrer da operação e, muito mais grave, do desvio de conduta do juiz Moro e do procurador Delagnoll.  

Os vazamentos conduzidos pela dupla se tornaram tão comuns a ponto de Moro gravar conversas telefônicas da então presidente Dilma Rousseff e divulgá-las na imprensa, apesar da proibição pela Constituição, chancelada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Essa prática mereceu tratamento cinematográfico, glamorizando seus protagonistas e elevando-o à categoria de verdadeiros heróis.

Portanto, não há como aceitar a tentativa de criminalizar a correta reportagem do The Intercept, até mesmo porque os autores da matéria não interceptaram mensagens das autoridades envolvidas.

Ao tentarem minimizar a gravidade dos fatos, Moro e Delagnoll, pelo contrário, confirmam sua veracidade, já que em nenhum momento desmentem o conteúdo das matérias. Vale ressaltar que essa prática de vazamentos mereceu, desde 2013, cobertura especial da imprensa, com destaque para grandes redes, que agora tentam mudar de lado, posando de defensores da democracia.   

Isso colocado, a conclusão é somente uma: houve desvio de conduta do juiz e de procuradores da Operação Lava Jato, o que fragiliza a investigação que culminou na prisão do ex-presidente Lula, influenciando desse modo o resultado das eleições presidenciais.

A partir de agora, é necessário que haja o afastamento de todos os citados na matéria das funções que ocupam, como defendem lideranças do Estado e nacionais, além de instituições da área jurídica, como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a fim de que as investigações se desenvolvam com o maior rigor possível.

A Operação Lava Jato enveredou por um viés altamente nocivo ao país, com prejuízos à economia, gerados por meio da destruição de empresas e demonização da classe política. Essa história precisa ser recontada, para que prevaleça a verdade. 

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