Rescaldo do terror

A divulgação de crimes praticados na ditadura provoca impacto em círculos políticos

A divulgação pelos principais meios de comunicação dos assassinatos praticados pelos ditadores Ernesto Geisel e João Figueiredo nas décadas de 70 e 80 repercute nos círculos políticos, com enorme potencial de provocar alterações no cenário eleitoral desse ano.
A cofirmação das atrocidades praticadas em uma das fases mais trágicas da recente história do País reacende questionamentos sobre os resultados práticos da Comissão da Verdade, que apesar de trazer o debate à tona, não alcançou de forma plena os objetivos, tolhida pela ameaça ainda real dos quartéis. 
A história escabrosa relatada por um agente categorizado da Cia também joga um feixe de luz sobre pré-candidaturas em todos os seus níveis, com destaque para o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL-RJ) e seus aliados regionais.
A partir da constatação dos horrores da ditadura, torna-se imprescindível uma reflexão sobre essa ferida aberta e, em vários casos, ainda não cicatrizada.
As declarações do presidenciável e a defesa do período ditatorial entre seus seguidores já, desde agora, ganham espaços nas redes sociais e outros meios e, também, junto à classe política. 
No Espírito Santo, o senador Magno Malta (PR), cotado para vice na chapa de Jair Bolsonaro, e o deputado federal Carlos Manato (PSL), indiretamente, poderão sentir o impacto, que deverá atingir a campanha presidencial com desdobramentos regionais.  
O clima de militarização que invade o País, com destaque para o meio chamado de evangélico, é assustador, a partir da constatação de que a pena de morte, o armamento da população e manifestações de retorno da ditadura são temas que entram no cotidiano das pessoas.
Estimulada por um noticiário tendencioso e pela introdução de políticas públicas baseadas, exclusivamente, em conceitos de guerra aberta, como a intervenção militar no Rio de Janeiro, apesar dos resultados inexpressivos, a população ainda não se deu conta da extensão da tragédia que o Brasil viveu a partir de 1964. 
A revelação dos assassinatos ordenados pelos ditadores chega em um momento em que o País necessita, mais do que nunca, conhecer a sua  história, a fim de identificar os heróis e bandidos, para que esses fatos não venham a ocorrer nunca mais.   
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