Samarco e Vale S/A, o poder

Decisão da Justiça mineira contra as vítimas da Samarco/Vale-BHP demonstra o tamanho do poder das mineradoras

Mais uma vez, as camadas mais pobres sofrem injustiças com a concordância das instituições estabelecidas, bem ao modo historicamente sedimentado de favorecer os mais abastados, ampliando os índices que colocam a sociedade brasileira como uma das mais desiguais do planeta. São dados que se alinham com a ampliação da precariedade dos programas sociais intensificada, no Espírito Santo e no Brasil, nos últimos três a quatro anos.

Trata-se da modificação de cerca de 1500 acordos feitos entre a Fundação Renova e os pescadores atingidos pelo crime da Samarco/Vale-BHP, ocorrido em 5 de novembro de 2015, com o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana/MG, resultando em 19 mortos e a destruição da bacia do rio Doce.

A decisão, tomada pela 12ª Vara Federal de Minas, durante o recesso judicial de fim de ano, atinge diretamente centenas de famílias que tiveram suas casas destruídas e suas fontes de renda e sobrevivência anuladas,entre elas a de milhares de pescadores, ao longo do rio e no litoral capixaba.

A Justiça atende, com a decisão, às solicitações das empresas envolvidas no crime, o maior na área ambiental já registrado no País, e que, nem por isso, merece a apuração esperada, apesar das denúncias e protestos, que ultrapassam as fronteiras nacionais.

Mantém a Justiça uma situação equivocada e extremamente prejudicial às vítimas, que terão a soma dos pagamentos mensais descontada do valor das indenizações, contrariando até mesmo recomendações das defensorias públicas e Ministério Público Federal. O ato vai além e atinge outros 7500 que aguardam na fila.

O cenário de devastação não foi o bastante para promover uma reparação à altura, mais de três anos depois de ocorrida a ação criminosa, decorrente do descaso e da irresponsabilidade de gestores que, hoje, circulam livremente e gozam de privilégios garantidos por suas fontes de renda mantidas a salvo.

As alterações nos acordos resultarão no agravamento das perdas provocadas pela lama, que percorreu cerca de 650 quilômetros entre Mariana, em Minas Gerais, até a foz do Rio Doce no município de Linhares, Espírito Santo, espalhando-se por várias comunidades litorâneas  ao norte e ao sul da foz.

Foram atingidos, em sequência, o córrego Santarém, o rio Gualaxo do Norte, o rio Carmo e todo o Rio Doce em um trajeto que compreende 43 municípios. Destruiu diversas casas, bens, modos de vida, fontes de renda e muitos sonhos.

O poder destruidor, que ceifou vidas, pode ser comparado ao descaso relativo a providências que deixam de ser adotadas e, principalmente, as que, colocadas em prática, só contribuem para agravar a situação das vítimas. 
 

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