Segurança e prioridades

Assentada a poeira das eleições presidenciais, é chegada a hora de buscar soluções para velhos problemas

Nos centros urbanos e no campo, são infindáveis os cenários apropriados para o aproveitamento de iniciativas que possibilitem a inserção de um vasto contingente populacional, a maior parte formada por jovens, como medida para reduzir a criminalidade sem necessitar armar a população, fechando o perigoso e alarmante viés formado na campanha eleitoral, por meio de declarações do próprio presidente eleito. 

Ao defender essa política, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) coloca a questão de segurança pública em frágil patamar, com ampla possibilidade de se transformar em fator gerador de maior violência, vitimando principalmente a população mais jovem e, em escala maior, os pretos e pobres. Nesse quadro, a questão da terra merece atenção especial, não só no Espírito Santo, mas em todo o País.  

Assentada a poeira das eleições presidenciais, é chegada hora de buscar soluções para velhos e conhecidos problemas que abalam a sociedade, em especial a segurança pública e o desenvolvimento econômico, deixando de lado, principalmente, o individualismo, altamente pernicioso, que sempre aflora com maior intensidade nessas ocasiões, quando é formada a nova equipe do governo.

O Espírito Santo deu ao presidente eleito uma votação expressiva, que deveria ser um passaporte para a entrada do Estado no programa de prioridades, a fim de que antigas reivindicações, no campo e das cidades, sejam atendidas.  As condições materiais existem, a partir da entrada de novos atores capixabas nos círculos de decisões em nível nacional.

Soma-se a essa conjuntura, a posição de neutralidade do governador eleito, Renato Casagrande (PSB), que, se de um lado pode ser criticado por ter ficado “em cima do muro”, contrariando decisão de seu próprio partido, de outro, no entanto, aumentou as condições para cobrar do governo eleito as soluções há muito esperadas.

Resta saber se ele encontrará campo propício para tocar projetos com o apoio do governo federal, que possam beneficiar camadas mais desassistidas da sociedade, em áreas nas quais o poder público não se fez presente nos últimos anos e se transformaram em pontos explosivos de atraso social e criminalidade.

Nesse cenário, pequenos e microprodutores rurais e empreendedores urbanos se destacam por serem, costumeiramente, vitimados por uma política que prioriza em maior escala os grandes projetos, geradores de desertos, altamente poluidores e desenvolvidos em grupos fechados pertencentes a camadas mais abastadas da sociedade. O norte do Estado, com plantas industriais gigantescas, é um exemplo de uma política socioambiental desastrosa, assentada em bases excludentes para a maiorias da sociedade. 

É evidente que não se pode alterar o modelo econômico assim de uma hora para outra, mas é possível começar a abrir caminhos a fim de que as minorias, em todas as áreas, venham a ser contempladas pelas políticas públicas, com o aproveitamento de projetos bem sucedidos, que deixam de ser considerados porque estão fora do eixo do poder corporativo. 

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