Segurança maquiada

Na contramão das peças de marketing, governo Hartung não tem políticas capazes de mudar quadro de horror no Estado

Um ano e meio depois de o governo do Estado anunciar com grande estardalhaço a liberação de R$ 14 milhões para “garantir a compra de 185 viaturas para as polícias Militar e Civil”, o Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo (Sindipol/ES) trouxe a público nessa segunda-feira (3) documento denunciando ausência de políticas estruturantes capazes de mudar o quadro de horror em que vive a população capixaba. 

No dia 27 de março de 2017, o governador Paulo Hartung posou para foto, com caneta à mão, ao lado o então secretário de Segurança Pública André Garcia, hoje no ranking dos mais votados para deputado estadual, segundo as estimativas eleitorais, e disse: “Estamos com as contas do governo em dia e equilibradas, e conseguindo investir naquilo que é fundamental para o funcionamento da máquina pública e a melhoria da qualidade de vida da população". 

A realidade, no entanto, é outra: o arrocho fiscal imposto pela gestão Hartung levou ao corte brusco de investimentos, inclusive, à “queda na verba de combustível dos veículos, que hoje é de R$ 500 em algumas regiões”, como denuncia o documento dos policiais civis. Além da falta de combustível para os veículos, os policiais civis reclamam do quadro reduzido de profissionais e de uma estrutura adequada para manter o setor funcionando. 

O equilíbrio fiscal anunciado pelo governo nos últimos quatro anos, que serviu de temas para poderosas ações de marketing, funcionou mais como campanha política antecipada, a fim de levantar a imagem do governador Paulo Hartung, que pensava, na época, na reeleição que gorou, e do então secretário André Garcia, que hoje colhe os frutos,  devendo ser um dos mais votados para a Assembleia Legislativa. 

Quanto à população, continua a conviver a cada dia com mais violência, que alcança a todos, ricos e pobres, das áreas chamadas nobres às mais periféricas, ampliando o quadro de horror e de medo, como na tarde dessa segunda, quando na Ilha do Frade, em Vitória, uma das zonas residenciais mais suntuosas do Estado, um jovem foi executado a tiros.

Na noite do mesmo dia, no morro de Gurigica, no bairro Consolação, mais de 40 tiros seguidos de foguetório transformaram a madrugada de centenas de moradores da região de Bento Ferreira em horas de medo e pavor, durante o assassinato de outro homem, também jovem. Nos dois casos, ficam a marca da violência do tempo atual e a falência das políticas públicas para a defesa da população. 

O documento dos policiais civis apresentado neste início de setembro se junta às anteriores reivindicações dos policiais militares, motivo da greve geral da PM em fevereiro de 2017, a maioria nunca devidamente atendida. Como nos casos de execução, motivados por vingança, ao invés de buscar o atendimento das reivindicações, via entendimento, a fim de melhorar o setor, o Estado investe em punir os que participaram do movimento.  

A ausência do Estado se faz sentir nas duas corporações, Civil e Militar, não somente na falta de pessoal, apesar dos repetidos anúncios de concursos tão comuns nesta época eleitoral,  mas, e principalmente, na valorização do profissional e de condições de trabalho mais apropriadas ao desenvolvimento de tarefas perigosas que os policiais enfrentam no dia a dia. 

Sem isso, resta a todos, policiais e população, a insegurança e o medo que a maquiagem oficial não consegue esconder. 

Comente Aqui
Confirme seu comentário no e-mail em até 48 horas para manter ativo.
Atenção caros leitores, comentários com link não serão mais aceitos. Evite ser bloqueado.
0 Comentários

Seja o primeiro a comentar.