Triunfalismo e política

Parte do público evangélico perde a capacidade de análise e se encanta com lideranças políticas

“Nem tudo o que reluz é ouro”, ensina a sabedoria popular nessa frase que se encaixa muito bem à propaganda eleitoral, que nesta sexta-feira (14) completa 15 dias de veiculação no rádio e tv, e também à movimentação da classe política em busca de colocar sua mensagem na cabeça do eleitor. 

Entre as muitas variações de públicos-alvo, o eleitor evangélico se sobressai por ser mais receptivo a mensagens destituídas de veracidade, cuja aceitação se firma não em uma análise de conteúdo, mas, unicamente, na crença e respeito àquele que a emite. 

Nesse contexto, esse público, que representa cerca de 33% dos eleitores capixabas, se deixa levar pela chamada teologia triunfalista e aceita mensagens equivocadas sob a ótica da democracia e, também, da doutrina cristã. 

Além disso, essa doutrina desperta em pastores e outras lideranças o desejo de se candidatar a cargos eletivos a fim de impedir o avanço da iniquidade, por meio da formação de uma classe política constituída por “pessoas de bem”. 

Colocar coroa de santidade em candidatos a cargos eletivos, independente do credo que ele professe, é um posicionamento equivocado, mas, mesmo assim, é estimulado no meio religioso e alcança, principalmente, as camadas menos escolarizadas. Sem senso crítico, aceitam o que lhe é apresentado pela liderança. 

O termo “pessoas de bem” e afirmações do tipo “só os evangélicos podem   salvar o Brasil” carregam uma profunda presunção e pesado sentimento de exclusão, totalmente contrários à doutrina cristã, que sinaliza para a natureza falha como característica principal do ser humano, passível de cometer erros e praticar iniquidade, independente se é ou não liderança religiosa. 

Essas “pessoas de bem” se acham acima de todas as iniquidades, de comportamentos considerados impróprios, enfim, de malfeitos de qualquer espécie. Perdem a empatia e adotam posições punitivas, em meio a ódio e preconceito, estimulando a violência que atinge em maior escala pobres e negros. 

Esquecem que estão sujeitas a cometer os mesmos atos que condenam, como homicídios, roubo, fraudes, traições, promover e aceitar separações conjugais, dentre tantos outros, tal e qual os religiosos e políticos fariseus, que Jesus chamou de raça de víboras, sepulcros caiados. 

O triunfalismo remete à Alemanha de 1938.Na época, parcela significativa de pastores e outras lideranças religiosas, com o discurso de defender a família e os bons costumes exaltaram um homem que chegou ao poder e fundou o partido Nacional-Socialista, conhecido como Nazismo. 

Ele foi responsável por uma das maiores e cruéis tragédias da humanidade, o extermínio de judeus, negros, ciganos, homossexuais e os próprios religiosos. Seu nome, Adolf Hitlder.  
 

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