Tudo pelas regalias

O velhos caciques da política impedem a entrada de novos e dificultam a renovação

As convenções partidárias que se encerram neste domingo (5), para atender aos prazos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), demonstram que velhos caciques políticos permanecem em lugar de destaque, sombreando novos pretendentes, o que impede a renovação política e a democrática alternância de poder.

Acostumados às regalias que a vida pública, no Brasil, oferece, não medem esforços para dificultar a entrada de novatos. O Projeto de Emenda Constitucional  (PEC) que alterou o sistema eleitoral amplia os empecilhos a quem quer entrar na política partidária e arma barreiras contrárias ao exercício da democracia.

Uma coisa mais do que natural, quando se sabe que foram os velhos caciques que o aprovaram. As dificuldades vão desde a entrada no partido até o uso de redes sociais, sem contar com a distribuição de recursos públicos, que fica a cargo dos presidentes das siglas partidárias.

Em consequência, a cena política não se altera e as políticas públicas passam a girar em torno de grupos econômicos, com maior intensidade na fase atual, com as investidas ferozes do mercado, que direciona as ações dos gestores públicos.

Exemplos é o que não falta. Na Assembleia Legislativa, a eleição deste ano reserva apenas uma renovação de menos de 50% dos deputados, um índice baixo, considerando o desempenho da legislatura que se encerra em dezembro deste ano.

No cenário federal, para não fugir à regra, a renovação deve ser da mesma forma, com a manutenção de políticos profissionais que há décadas comandam o Estado. Exibem um saldo nada alentador, especialmente quando viso das camadas mais pobres da população.

Na Câmara dos Deputados, a renovação da bancada capixaba tende a ser reduzida, o mesmo no Senado Federal. Magno Malta (PR) lidera com folga a corrida, Rose de Freitas (Podemos) tem mais quatro anos se não se eleger governadora, como tudo indica, e Ricardo Ferraço (PSDB) foi agraciado com movimentos de aliados que fortaleceram sua caminhada para se manter por lá.

A bandeira da renovação, levantada por ocasião da chamada reforma política, virou um fiasco. Pouca coisa mudou e, assim mesmo, os maiores beneficiados são os que já estão no poder, desfrutando das regalias da coisa pública.

Do ponto de vista da população, as reivindicações crescem, na mesma medida em que os caciques são mantidos. No entanto,  a visão crítica, além de reduzida, é distorcida por falta de interesse pela política, estimulada pelo besteirol exibido na telinha da TV. Hipnotizado, o eleitor aplaude aquilo que só merece vaias.

Comente Aqui
Confirme seu comentário no e-mail em até 48 horas para manter ativo.
Atenção caros leitores, comentários com link não serão mais aceitos. Evite ser bloqueado.
0 Comentários

Seja o primeiro a comentar.