Voto e cidadania

As abstenções previstas nas eleições deste ano são o retrato de desvios da classe política

O elevado índice de abstenções que deve marcar as eleições deste ano se torna mais preocupante com a revelação de que boa parte da população se mostra desinteressada, ampliando a faixa dos revoltados, insatisfeitos e decepcionados com a classe política. 

Um cenário que tem suas bases reforçadas nos escândalos de corrupção e fraudes de agentes públicos, além de desvios de comportamentos, seguindo o conceito da lei da vantagem fácil, cujos canais são largamente abertos por meio de regalias que o poder público oferece. 

Esse cenário é construído por um modelo distorcido da realidade social, que mantém privilégios à classe de cima e nega direitos ao cidadão das camadas mais desassistidas da população. 

Como resultado, a sociedade se embrutece e vê a violência como coisa natural, a lei de dente por dente, olho por olho,  que encontra terreno propício para prosperar em projetos políticos que estimulam a população a se armar, com meio de se defender. 

Uma visão distorcida, como muitas outras, que ocorre desde que o ato de votar começou a ser praticado no Brasil, em 1553, na então vila de São Vicente, marco da fundação da cidade de São Paulo. Elegeu-se, na época, o Conselho Municipal, dando início à penosa trajetória da cidadania.  

A campanha eleitoral de 2018 começou em meio a um cenário sombrio e com a repetição daquele mesmo modelo e seus conceitos distanciados da população. Assim, chega-se a um estado de coisas em que na hora de escolher, como agora, a tomada de decisão se torna muito difícil para o cidadão comum. 

Os dois debates de TV apresentados nada mostram de novo, os programas eleitorais que começam no dia 31, como na eleição passada, devem parecer iguais, um retrato que remete à frase muito comum de que todos os políticos em nada diferem um do outro. 

Um engano difícil de ser esclarecido, principalmente quando levado em conta a quase total ausência de conceitos políticos fundamentados nos aspectos sociais e econômicos que possam favorecer as camadas mais pobres. 

No Espírito Santo, durante o fechamento das convenções partidárias, alguns políticos deram uma contribuição inestimável à desvalorização do  voto, ao se lançarem de um lado para outro, sem levar em conta os mínimos detalhes de identidade política, que se traduz em fidelidade. 

São fruto de um mesmo modelo, gerador do político profissional capaz de confundir o que é um bem público como se fosse seu na maior naturalidade e usar a política como trampolim para negócios e negociatas. Um quadro sombrio, que só pode ser alterado por meio do voto consciente.

Comente Aqui
Confirme seu comentário no e-mail em até 48 horas para manter ativo.
Atenção caros leitores, comentários com link não serão mais aceitos. Evite ser bloqueado.
0 Comentários

Seja o primeiro a comentar.