8 de março capixaba: contra a Reforma da Previdência e por justiça a Marielle

Manifestação no Centro de Vitória abre jornada de lutas das mulheres no Espírito Santo em 2019

O 8 de Março na capital do Espírito Santo este ano acontecerá a partir das 15 horas desta sexta-feira (8), com concentração em frente à Casa Porto das Artes Plásticas, na Avenida Jerônimo Monteiro, de onde as manifestantes sairão em caminhada pelas ruas do centro da cidade.

O encerramento será no Museu Capixaba do Negro (Mucane), com diversas atividades e apresentações culturais. Entre elas, a exposição A voz que nos pariu - o 8 de Março registrado pelas lentes da fotógrafa Tati Hauer. Além de dança urbana, o som afro do Odomodê e duas bandas compostas somente por mulheres, Alquimistas e Melaninas MCs.

Ecoando o grito das mulheres por todo o país, o evento capixaba será em defesa das vidas das Mulheres e dos direitos e contra os retrocessos, enfatizando o repúdio à reforma da Previdência e a justiça a Marielle Franco, ativista e vereadora carioca executada há quase um ano, no dia 14 de março, no Rio de Janeiro, junto a seu motorista, Anderson Gomes, em crime que continua impune.

O evento abre o calendário capixaba de lutas de 2019, sendo que o mês de março já conta com várias atividades, que serão divulgadas nas redes sociais.

No Brasil, só no mês de janeiro foram 129 casos de assassinatos, conforme a Comissão Internacional de Direitos Humanos, sendo que o Espírito Santo é o primeiro lugar no extermínio de mulheres negras e um dos mais violentos contra as mulheres de modo geral, fato que ficou ilustrado nos terríveis atos de violência praticados há poucos dias, durante o Carnaval, em diversos municípios do Estado.

#mariELASsim

O movimento feminista, assim como outras organizações sociais e trabalhistas, exige a retirada da Proposta da Emenda Constitucional (PEC) 06/2019, que trata da reforma da Previdência. O documento foi apresentado pelo presidente Jair Bolsonaro em 20 de fevereiro ao Congresso Nacional.

O coletivo 8 de março Unificadas 2019 – que organiza as manifestações na data todos os anos no Espírito Santo – lembra que, com a alegação de que a Previdência está quebrada, Bolsonaro e seu ministro da Fazenda, Paulo Guedes, querem aumentar a idade para aposentadoria de todos. “As mulheres, que têm extensão de jornada e recebem menos, serão as mais prejudicadas, perdendo o direito de aposentar aos 55 anos”, diz a jornalista Giselle Pereira, integrante do Unificadas.

Ela alerta que o governo federal, no entanto, omite propositalmente que a Constituição Federal (art. 195) prevê um sistema tripartite, com empregados, empregadores e governo contribuindo para custear a Seguridade. “Ela foi superavitária em 2015 em R$ 20,1 bilhões, com receitas de R$ 704 bilhões e despesas de R$ 683,9 bilhões, conforme atestam os números da Associação Nacional dos Fiscais Previdenciários (ANFIP)”, informa o coletivo.

Para a assistente social e integrante do Fórum de Mulheres do Espírito Santo (FOMES), Emilly Tenório, o ato será a primeira grande mobilização no Estado após as eleições do presidente Bolsonaro. “Já visualizamos muitos impactos na vida das mulheres e a proposta da reforma da Previdência é um exemplo”, disse, destacando que as mulheres irão às ruas inspiradas na força e representatividade de Marielle Franco.

“Exigimos saber quem matou Marielle e Anderson. Somos Mariellas pela vida das mulheres, por direitos e contra os retrocessos”, frisa Emilly.

Violência

Levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública estima que mais de 16 milhões de mulheres, cerca de 27,35% das brasileiras, sofreram algum tipo de violência durante o ano passado. De acordo com a pesquisa, 536 mulheres são agredidas a cada hora no país, sendo que 177 sofrem espancamentos.

A pesquisa ouviu 2.084 pessoas em 2018. Mais da metade (52%) das entrevistadas declarou que não procurou ajuda após as agressões; 15% falaram sobre o assunto com a família; 10% fizeram denúncia em delegacias da Mulher; 8% procuraram delegacias comuns; 8% procuraram a igreja e 5% ligaram para o telefone 190 da Polícia Militar. A violência foi cometida, em 76,4% dos casos, por conhecidos: cônjuge (23,9%), ex-cônjuge (15,2%), irmãos (4,9%), amigos (6,3%) e pais (7,2%).

Serviço

#mariELASsim: pelas vidas das Mulheres, por direitos e contra os retrocessos
Data: 8 de março (sexta-feira)
Horário: a partir das 15 horas
Concentração: em frente à Casa Porto das Artes Plásticas, na Avenida Jerônimo Monteiro
Encerramento: Mucane, centro de Vitória, com apresentações culturais.

Leia Também:

Comente Aqui
Confirme seu comentário no e-mail em até 48 horas para mantê-lo ativo.
Atenção caros leitores, comentários com link não serão mais aceitos. Evite ser bloqueado.
0 Comentários

Seja o primeiro a comentar.

Matérias Relacionadas

‘Acusação de Pazolini é extremamente irresponsável’, dizem movimentos sociais

Deputado acusou manifestantes contrários à condecoração da ministra Damares de serem a favor da pedofilia

Audiência pública e ato contra a Reforma da Previdência acontecem em Vitória

Nesta quinta haverá debate contra proposta de Bolsonaro na Ales; na sexta, passeata até o Palácio Anchieta

Em meio a onda de violência, mulheres vão às ruas no 8 de março

Ato do Dia Internacional da Mulher reuniu denúncias, reivindicações e ações culturais no Centro de Vitória