‘A vida em primeiro lugar’, reivindicam trabalhadores da Garoto/Nestlé

No 40º ato do ano, Sindialimentação pede que multinacional garanta direitos históricos da categoria

“A vida em primeiro lugar”. Com este tema, os trabalhadores da Garoto/Nestlé realizaram, na manhã desta sexta-feira (30), o 40º protesto do ano em defesa de direitos trabalhistas já conquistados. O motivo de tamanha mobilização é a postura da multinacional, que insiste em não avançar nas negociações do acordo coletivo do triênio 2019-2021, em curso.

Com trio elétrico e panfletagem, o Sindicato dos Trabalhadores em Alimentação do Espírito Santo (Sindialimentação/ES) levou sua mensagem aos moradores e transeuntes dos bairros adjacentes à fábrica, na Glória, em Vila Velha.

A luta, ressalta a entidade, é pela valorização aos trabalhadores, acordos coletivos dignos e melhores condições de trabalho. “O ritmo alucinante nas linhas de produção, aliados à falta de mão de obra e redução de postos de trabalho, tem sido fatores que causam adoecimento aos trabalhadores”, denuncia. 

“Queremos que a Nestlé não insista em cortes de direitos e que avance na pauta dos acordos de cláusulas econômicas e de participação de lucros da categoria”, posiciona a presidente do Sindialimentação/ES, Linda Morais. “Precisamos de condições de trabalho. A sobrecarga está maltratando os trabalhadores”, denuncia.

Nos dez mil panfletos distribuídos à população, o sindicato elenca a rotina amarga dos trabalhadores dentro da fábrica de chocolates, que completou 90 anos no último dia 15 e é uma das dez maiores do grupo Nestlé, responsável pelo crescimento de 7% da multinacional, desde que foi comprada pela gigante suíça, em 2002.

“Nestlé impõe trabalho exaustivo, obrigatoriedade de horas extras e faz funcionário trabalhar por três”, denuncia o informativo. Os efeitos e as consequências que a sobrecarga traz para a vida dos trabalhadores, ressalta, são cansaço físico e mental, irritação, nervosismo, tensão, estresse, problemas de coluna, insônia, depressão, ansiedade, gerando um profundo sofrimento. “O Sindicato reivindica, acima de lucros, uma melhor divisão do trabalho, sem sobrecarga, e a garantia dos direitos trabalhistas”, assevera a entidade sindical.

Em um plebiscito realizado este ano, os trabalhadores manifestaram estarem dispostos a irem até as últimas consequências na defesa dos seus direitos.

Acordos

São dois acordos em negociação: um sobre cláusulas econômicas e sociais, incluindo tíquete-alimentação, farmácia, auxílio-creche e outros benefícios; e outro sobre a PLR.

No acordo socioeconômico, a Nestlé não quis nem ouvir a reivindicação dos trabalhadores com relação a reajuste e avanços nas cláusulas sociais, relata a presidente da entidade. E, ao mesmo tempo, quer retroceder nesses benefícios, como a redução de 25% no tíquete-alimentação, eliminação do adicional de férias, da gratuidade das consultas pediátricas e das folgas do Carnaval, Natal e Ano Novo, conquistas já estabelecidas em acordos coletivos anteriores. Somente sobre as perdas salariais houve avanço, com a concessão do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do período.

Já no acordo de PLR, a multinacional insiste em impor metas, conta Linda. O sindicato argumenta que metas têm que ser debatidas com os trabalhadores e apresentar valores que realmente atendam à categoria. “Ela não quer avançar na PLR, não quer partilhar de forma digna essa participação”, avalia Linda Morais.

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1 Comentários
  • Gabriel Simões Martins Coelho , sexta, 30 de agosto de 2019

    Trabalhadores no limite do limite . Se não fosse o sindialimentação, a Nestlé iria escravizar os trabalhadores. Não tem motivo para corta direitos , a Nestlé está muito bem financeiramente . Lutar e resistir. Parabéns sindialimenta . E Nestlé vai ..........

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