Abaixo-assinado pede o fim do racionamento de comida no Infantil de Vila Velha

Vadecir, do Sindsaúde, denuncia que empresa que administra o hospital não paga fornecedores

Os problemas com racionamento de comida para pacientes e trabalhadores do Hospital Infantil de Vila Velha (Himaba) continuam. Insatisfeitos também com a qualidade da alimentação, um abaixo-assinado foi entregue a representantes do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde no Espírito Santo (Sindsaúde-ES) pedindo providência urgentes da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) para resolver o problema. Crianças internadas na unidade estão comendo apenas café com leite e uma maçã pequena como café da manhã, assim como os servidores. Há relatos ainda de que itens essenciais, como arroz, não estão tendo os estoques renovados.

De acordo com o secretário de Comunicação do Sindsaúde-ES, Valdecir Gomes Nascimento, o racionamento de comida tem ocorrido porque a Organização Social (OS) contratada pelo Governo do Estado para gerir o Himaba, o Instituto Gestão e Humanização (IGH) não tem realizado o pagamento de fornecedores e terceirizados, incluindo, nesse caso, a empresa responsável pela alimentação do hospital contratada pelo IGH, a Verdall, que estaria sem receber e, por isso, racionando a comida para pacientes e funcionários. A Guerdal teria contrato com o IGH para atender todos os hospitais em que a OS faz gestão no Espírito Santo e também em outros estados.

“O secretário de saúde afirmou que a terceirização dos hospitais tem sido um sucesso no Estado. Ele só pode estar tentando enganar a sociedade capixaba, pois são vários problemas. A Organização Social que faz a gestão do Himbana é caloteira. A cooperativa de cirurgiões está sempre com o pagamento atrasado. Ela não paga os fornecedores; por isso, estão faltando vários produtos, inclusive comida”. 

Representantes dos trabalhadores que têm assento no Conselho Estadual de Saúde vão formalizar uma denúncia contra a Organização Social. Entre outros problemas, trabalhadores relatam que não estão tendo depositados valores correspondentes ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). 
 
Trabalhadores de empresas que prestam serviços nas áreas de limpeza e segurança também estariam cumprido aviso prévio e há três meses sem pagamento. Para a diretora do Sindsaúde Cynara Azevedo, que representa dos trabalhadores no Conselho Estadual de Saúde, a IGH não é transparente na maneira como administra os recursos repassados pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) para realizar a gestão do Hospital Infantil de Vila Velha. “Conseguimos acompanhar os repasses que são feitos pelo Estado para o IGH, mas depois não é possível saber se ela realiza o pagamento de seus fornecedores; isso também parece que não é fiscalizado adequadamente”, disse.  

Em março deste ano, uma simples consulta à Serasa Experian, serviço de proteção ao crédito, revelou que o Instituto de Gestão e Humanização tem diversas dívidas em aberto com empresas subcontratadas para compra de material e serviços. A Organização Social, que assinou contrato com a Secretaria de Estado da Saúde para gerir o Hospital Infantil de Vila Velha em setembro do ano passado, devia fornecedores que vendem produtos e serviços à unidade estadual. 
 
Segundo documento ao qual Século Diário teve acesso, do período de julho de 2015 a fevereiro de 2018, constavam 124 ocorrências referentes a pendências financeiras do IGH, que somavam pouco mais R$ 292 mil. Já no período de novembro de 2015 a janeiro de 2018 eram 24 ocorrências de dívidas vencidas, que chegaram a R$ 57,9 mil (último registro em janeiro deste ano). A pesquisa apontava, ainda, que a OS devia desde empresas que vendem equipamentos hospitalares a produtos como gás de cozinha.   
 
 

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