Abertas inscrições para Caminhada Noturna Zumbis Contemporâneos

Atividade do Fórum Chico Prego vai até as ruínas de Queimado relembrar a luta e resistência do povo negro

Uma caminhada noite adentro para relembrar a memória da luta do povo negro no Espírito Santo. Em sua nona edição, a Caminhada Noturna dos Zumbis Contemporâneos vai percorrer cerca de 18 quilômetros, na madrugada do dia 16 para 17 de março, saindo de Serra Sede com destino ao sítio histórico de Queimado, local onde há 170 anos ocorreu a maior insurreição de negros escravizados no Espírito Santo. As inscrições são gratuitas e estão abertas mediante preenchimento de um formulário online

Neste ano comemora-se também as duas décadas de existência do Fórum Chico Prego, um dos responsáveis pelo resgate histórico da Insurreição de Queimado. "Essa caminhada traz a mística dos APNs ,agentes de pastoral negros. É uma caminhada noturna em busca do novo, é passar pelas trevas para o novo dia", explica Rosemberg Caitano, coordenador político do Fórum, que realiza o evento na data da noite que antecedeu o início da revolta dos negros na Serra. "E qual o novo dia que queremos?" prossegue. "É o novo dia em que a luta do povo negro no município seja reconhecida e, de certa forma, restaurado o movimento naquela terra que tem sangue negro, tem organização negra antes da falsa libertação dos escravos".

No dia 16 de março, a concentração começa  às 21h, em Serra Sede, nas proximidades da Igreja Matriz, onde acontecem diversas apresentações culturais antes da arrancada da caminhada noturna. Depois da chegada em Queimado, já pela manhã, acontece uma celebração intra-religiosa, reunindo diversas religiões cristãs, de matriz africanas e outras, seguido uma celebração com atividades culturais e um banquete com comida tradicional.

A Insurreição de Queimado remonta ao ano 1849, quando os negros se revoltaram diante do não cumprimento da promessa de um padre de que os escravizados seriam libertos após a construção da Igreja de São José. Sob comando de líderes como Chico Prego, Eliziário e João da Viúva, lutaram pela liberdade, mas a rebelião acabou vencida pela repressão de tropas do Espírito Santo e do Rio de Janeiro, o que não impediu que se tornasse um acontecimento emblemático e reivindicado como parte da memória da resistência negra no Estado.

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