‘Acusação de Pazolini é extremamente irresponsável’, dizem movimentos sociais

Deputado acusou manifestantes contrários à condecoração da ministra Damares de serem a favor da pedofilia

Extremamente irresponsável e antidemocrática. É como a fala do deputado estadual Delegado Lorenzo Pazolini (sem partido) é classificada pelas entidades e organizações da sociedade civil presentes ao ato de repúdio à condecoração da ministra Damares Alves, na noite dessa segunda-feira (20) na Assembleia Legislativa.



Em resposta aos protestos feitos na galeria do no plenário Dirceu Cardoso, com cartazes e vaias, Pazolini disse, de forma irônica, que os manifestantes eram a favor da pedofilia.



O ato foi organizado pelo Fórum de Mulheres do Espírito Santo (Fomes), com apoio de outros movimentos sociais e organizações da juventude, sindicais, e de defesa dos direitos humanos.

“Foi um ato muito potente. Mostrou o contraditório, que existem pessoas que discordam dessa política que o governo federal está implementando e dessa homenagem a uma ministra que tem agido no sentido de desmontar as políticas públicas”, declara Bruna Gatti, integrante do Fomes.

Já a acusação de Pazzolini, afirma, “foi extremamente irresponsável”. “Ele pode até discordar da nossa pauta, mas jamais pode nos acusar de ser a favor da pedofilia, isso é absolutamente irresponsável. Discordar da nossa defesa e da nossa pauta é parte da democracia, mas jamais pode fazer esse tipo de acusação, que é extremamente grave”, explana a militante.

As entidades caluniadas por Pazolini estão estudando a melhor maneira de formalizar uma denúncia contra o parlamentar, que foi o autor da homenagem à titular do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.

Memoricído

A homenagem a Damares Alves fez parte de uma solenidade organizada por Pazolini em alusão ao Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e de Adolescentes, celebrado no dia 18 de maio, em homenagem à menina Araceli Cabrero Crespo, que, em 1973, foi sequestrada, dopada, estuprada, morta e carbonizada em Vitória.

Afilhado político do ex-senador Magno Malta (PR), de quem Damares foi assessora antes de assumir o Ministério, Pazolini também foi autor da Resolução nº 6.133, aprovada pela Mesa Diretora da Casa, que estabeleceu a concessão, à ministra, da Ordem do Mérito Domingos Martins no grau de Grã-Cruz, a mais alta honraria oferecida pela Casa de Leis capixaba.

Desde a aprovação da condecoração pela Mesa Diretora, diversas organizações da sociedade civil manifestaram seu repúdio, em função da atuação da ex-assessora de Magno Malta, que tem provocado o desmonte de políticas públicas conquistadas ao longo de décadas de lutas do movimento feminista e de outras minorias, como as populações indígenas, quilombolas e LBGT, além de provocar o chamado “memoricídio”, que é a tentativa de apagar até mesmo a memória dessas lutas históricas.

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