AfirmAção Rede de Cursinhos representa Estado em evento internacional 

Entidade debateu educação e população negra, com formalização de grupo de trabalho em defesa das cotas

A AfirmAção Rede de Cursinhos Populares, ONG capixaba que atua na área de educação popular e que integra também o coletivo do movimento negro, representou o Espírito Santo no I Encontro Internacional da Coalizão Negra Por Direitos: Brasil, Estados Unidos, Equador, Colômbia e África do Sul, realizado em São Paulo no último final de semana.

Os representantes do cursinho participaram de uma mesa sobre educação e população negra, propondo ações em defesa ao sistema de cotas. Segundo Lula Rocha, que coordena a rede Afirmação, a Coalizão é “o nosso quilombo contemporâneo, onde buscamos aglutinar forças para enfrentar os ataques que o povo negro vêm sofrendo e seguir tramando nossas lutas por libertação neste país”.

A AfirmAção Rede de Cursinhos Populares esteve presente na mesa sobre "educação e população negra" e propôs a constituição de um grupo de trabalho para seguir na discussão sobre o tema e construir ações conjuntas, sobretudo em defesa do sistema de cotas raciais nas universidades.

“Apesar do Governo Bolsonaro e seus apoiadores insistirem na negação do racismo, inclusive com a indicação de um presidente da Fundação Palmares que ataca o Movimento Negro, renovamos o nosso compromisso de denunciar o quanto racismo e os quase quatrocentos anos de escravização ainda produzem desigualdades no Brasil e apontar saídas para superação desse quadro”, explicou.

O Encontro Internacional da Coalizão Negra Por Direitos: Brasil, Estados Unidos, Equador, Colômbia e África do Sul tem como objetivo reunir lideranças das organizações do movimento negro que têm promovido ações conjuntas para articulação com o legislativo e assegurar os direitos humanos da população negra no Brasil. Além das ações de incidência na política nacional, a Coalizão Negra por Direitos tem articulado apoio internacional e denúncias em organismos de direitos humanos e em fóruns internacionais.

Criada em 2019, a Coalizão é formada por mais de 100 entidades entre coletivos e ONG’s, como a rede de cursinhos Uneafro, a ONG Criolo, o Movimento Negro Unificado, o Instituto Marielle Franco e a Coordenação Nacional Quilombola. O evento encerrou o mês da consciência negra, em São Paulo, com dois dias de programação que discutiu o racismo e desafios da população negra no Brasil e no mundo. 

A delegação Capixaba contou com a presença da AfirmAção Rede de Cursinhos Populares, Círculo Palmarino, Coordenação Nacional das Comunidades Rurais Quilombolas/ES e Núcleo de Mulheres Negras do Espírito Santo.

Polêmica no Governo

Na semana passada, causou polêmica a nomeação do jornalista Sérgio Camargo como presidente da Fundação Cultural Palmares, que tem como um de seus preceitos “promover a preservação dos valores culturais, sociais e econômicos decorrentes da influência negra na formação da sociedade brasileira”.

“Ele nega a existência do racismo no Brasil, fala isso com a boca cheia e todas as letras, e diz que é preciso acabar com o movimento negro. É muitíssimo grave ter nesse espaço alguém que nega algo que é inegável. É um debate ultrapassado. O Brasil é um país que sofre com o racismo. As teses que contestam isso não são sérias. Há racismo no Brasil, há violência racial, há diferenças estruturais entre as populações negras e não negras”, diz Douglas Belchior,  professor de História, militante do movimento negro há mais de 20 anos e representante da Coalizão Negra por Direitos, que completa: “É fundamental a organização do movimento negro no Brasil. Querem que a gente acredite que o racismo não existe.”

Douglas estende críticas às políticas de segurança pública estaduais e nacional. “São trágicas pro povo negro brasileiro. Porque reafirma a lógica de militarização de suas ações e de papel violento e repressivo das polícias, e regulador do sistema judiciário, penal e carcerário, como um espaço de aprisionamento de pobres e sobretudo de negros”, argumenta ele, que ressalta os números da mortalidade da população negra brasileira:

O evento

Os debates na última sexta-feira (29) começaram com as mesas “Desafios do enfrentamento ao racismo hoje” e “Conjuntura Nacional, Internacional e Resistência Diaspórica”. Durante a tarde, ocorreram as rodas de conversa com os temas “Terras, território e moradia – segregação espacial e cidadania nega”, “Encarceramento e política de drogas” e “Saúde da população negra”. O dia foi fechado com mais três rodas de conversa: “Racismo religioso”, “Feminicídio, LGBTfobia e a luta por garantia do direito à vida” e “Educação e a população negra”.

O segundo e último dia do encontro teve as mesas “Resistências à violência do Estado e ao genocídio negro: extermínio, encarceramento, pacote Moro. 
 

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