Agricultora capixaba é eleita Embaixadora da Região Sudeste em campanha da FAO/ONU

Selene Hammer Tesch, presidente da Amparo Familiar, em Santa Maria de Jetibá, é a representante da região na Campanha Mulheres Rurais, Mulheres com Direitos

Há mais de 25 anos trabalhando na agricultura orgânica, Selene Hammer Tesch, fundadora e presidenta da Associação de Agricultores e Agricultoras de Produção Orgânica Familiar de Santa Maria de Jetibá (Amparo Familiar), foi eleita a embaixadora da Região Sudeste para a Campanha #MulheresRurais, mulheres com direitos.

“É um reconhecimento agradável, mas não pode ficar só por aí. Queremos mais garantias dos nossos direitos e mais conquistas”, afirma Selene, contando que tem estreitado as conversas com os movimentos sociais e os movimentos de mulheres, para aproveitar a oportunidade da melhor maneira. “Eu sei que vai ter muito trabalho”, anuncia.

A campanha #MulheresRurais, mulheres com direitos é realizada pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO/ONU) e a Reunião Especializada da Agricultura Familiar do Mercosul (REAF), no Brasil, é coordenada pela Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead). Lançada em Brasília no último dia 23 de março, com uma homenagem às cinco embaixadoras regionais brasileiras, será concluída no dia 25 de novembro, Dia Internacional de Combate à Violência contra a Mulher.

O objetivo é dar visibilidade às mulheres rurais e ao trabalho que elas desenvolvem, além de proporcionar a troca de experiências entre os envolvidos. Há ainda a previsão de um montante de recursos – ainda não definido pela Sead – a ser disponibilizado no segundo semestre para apoio a ações de capacitação e produção das mulheres empreendedoras rurais.

'A vida é feita de escolhas'

“A mulher pode estar onde ela quiser estar. Basta traçar um objetivo, buscar um caminho e o conhecimento”, encoraja Selene. “O caminho é longo e muitas vezes confuso, mas é preciso ter uma visão ampla, pra ver onde você quer chegar. A vida é feita de escolhas”, ensina.

Representando mais de 80 agricultores e agricultoras de Santa Maria de Jetibá e, agora, também as agricultoras do Sudeste do Brasil, Selene conta que, hoje, o reconhecimento da agricultura orgânica e da mulher nesse setor, é muito maior do que há três décadas, quando tudo começou no Espírito Santo. “Tecnologias, informações, conhecimentos”, cita as ferramentas que apoiam a valorização crescente da agricultura orgânica.

“No início era a agricultura alternativa, a gente procurava uma opção pra sair do agrotóxico e migrar pra uma agricultura saudável. Na Amparo, o objetivo foi proteger as famílias, primeiramente”, recorda.

Não tem crise na Agricultura Orgânica

A embaixadora conta que nos últimos cinco anos, o crescimento da agricultura orgânica tem sido exponencial, com o consumidor buscando avidamente esse mercado especializado. “Não tem crise na área”, afirma. “E quanto mais o consumidor fica exigente, mais a gente tem que se adequar e vai melhorando a vida, no campo e na cidade”, exalta.

A maior procura por alimentos orgânicos é acompanhada por uma maior procura por mulheres para trabalharem nas lavouras certificadas. “Pra você ter ideia, hoje todos que procuram uma diarista, pra ajudar no campo, procuram por mulheres. Mulher tem mais carinho e amor no fazer das coisas, quer fazer mais perfeito. Isso faz grande diferença dentro do trabalho familiar”, explica.

Em quatro idiomas

A Campanha se pauta nos 17 Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODSs) da ONU, com mais de 170 metas a serem atingidas até 2030, e está sendo divulgada para além do Mercosul, nos idiomas português, espanhol, francês e inglês.

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