Amarrada

Marcelo Santos coloca freio na CPI das Licenças mais rápido do que se previa. Cadê as reuniões?

Enquanto os deputados estaduais aparecem na mídia dispostos a fechar o cerco para a Fundação Renova, até com pedido de prisão, a Vale e ArcelorMittal passam sem nenhum arranhão pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Licenças que, antes de ser desconfigurada, tinha como principais objetos de investigação exatamente as duas poluidoras e suas relações promíscuas com o governo Paulo Hartung. Nesta segunda-feira (21), pela sexta semana consecutiva, a CPI não realizou reunião, permanecendo pendentes vários requerimentos e pedidos de convocação. O período representa um mês e meio de inércia, a cargo do presidente da comissão, Marcelo Santos (PDT). A situação, criticada com razão pela Juntos SOS Espírito Santo Ambiental, que encabeça a luta local contra a poluição do ar na Grande Vitória, me faz repetir as perguntas feitas pela entidade diante do novo cancelamento: “Por que Marcelo Santos age desta maneira, bloqueando e paralisando a CPI? Será que encontrou algo grave demais que não valha a pena mexer no vespeiro?”. Desde o início, quando mudaram o foco da comissão, a expectativa já não era nada animadora, mas o enredo já conseguiu sair-se ainda pior. Cadê as reuniões, deputado?

Desvio de foco
Marcelo Santos, como se sabe, atuou antes na manobra para aliviar o peso da CPI, que deveria investigar a legalidade dos Termos de Compromisso Ambiental (TCAs) firmados com a Vale e Arcelor no apagar das luzes do governo passado e ainda da licença de operação concedida à Vale. Mas logo arrumaram um jeito de desvirtuar o objeto, incluindo temas alheios ao forte sistema que envolve as poluidoras.

Desvio de foco II
Não bastasse mudar até o nome da Comissão, Marcelo Santos ainda chegou à presidência, rompendo uma máxima na Assembleia de o cargo ser ocupado pelo proponente da investigação. A função deveria ficar com Sergio Majeski (PSB), a quem não restou nem a relatoria, ficando como vice-presidente, que tem atribuições de menor destaque em CPIs.

Desvio de foco III
As últimas movimentações da Comissão das Licenças foram medidas em conjunto com a da Sonegação, jogando carga na Fundação Renova, que acumula denúncias de irregularidades na condução da reparação do crime da Samarco/Vale-BHP. O caso precisa, mesmo, de providências. Mas e a poluição do ar, vai muito bem, obrigada?

Vitrine
Figurinha repetida na Câmara de Vila Velha, o deputado estadual Dr. Hércules (MDB) teve a moral levantada pelo presidente da Casa, vereador Ivan Carlini (DEM), na última semana, em mais uma passagem por lá. Como já afirmou inúmeras vezes que será candidato a prefeito, seu eterno sonho político, os elogios rasgados não passaram batido pelo mercado. Dr. Hércules, caso seja mesmo candidato, enfrentará o prefeito Max Filho (PSDB), quem apoiou na última eleição.

Vitrine II
Carlini é aliado histórico do ex-prefeito Neucimar Fraga (PSD), que estava no páreo em 2020, mas deve optar por assumir a cadeira de suplente na Câmara Federal, possível principalmente com a candidatura de Norma Ayub (DEM) em Marataízes e ainda de Sérgio Vidigal (PDT) na Serra. Neucimar conversa agora com Dr. Hércules, numa convergência de forças para tentar impedir a reeleição de Max, que também está em campo. 

Memórias
Por falar nos “Maxs”, o acervo fotográfico pessoal do ex-governador Max Mauro vai virar exposição e catálogo, com lançamentos anunciados para o próximo dia 30, na sede do Arquivo Público do Estado, em Vitória, a partir das 18h. Ao todo são 9,5 mil imagens, datadas de 1910 a 2008, que retratam a história política, econômica e social do Espírito Santo. 

Memórias II
O evento de lançamento da exposição, chamada “Agora é Max! Política, fotografia e memória de um ex-governador do Espírito Santo”, contará com palestra e confraternização, além da distribuição gratuita da publicação “Patrimônio fotográfico: catálogo do acervo pessoal do ex-governador Max Freitas Mauro”. O coordenador do projeto é o professor André Malverdes.

Agora sai?
Trabalho importante que há anos esbarra em ego político, sem qualquer avanço, o Conselho Metropolitano de Desenvolvimento da Grande Vitória (Comdevit) foi retomado pelo governo Renato Casagrande, com o objetivo de integrar ações, estudos e projetos de interesse comum da Região Metropolitana. Espero, finalmente, ver o fim dessa novela, iniciada ainda em 2005!

Agora sai II?
O escalado para conduzir os debates é o secretário de Governo, Tyago Hoffmann, em um grupo que conta com outros secretários, prefeitos da região e representantes da sociedade civil. Entre as pautas, algumas urgentes há muito tempo: mobilidade metropolitana e saneamento básico.

PENSAMENTO:
“Um bom começo é a metade”. Aristóteles

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