Apesar de isolado, Majeski representa barreira ao projeto de Luciano e Gandini

O crescimento da candidatura de Sergio Majeski à Prefeitura de Vitória é sinalizado no mercado político

Mesmo exercitando a capacidade de manter os planos em sigilo, lideranças políticas de Vitória, maior vitrine eleitoral do Estado, não conseguem disfarçar o acirramento do jogo da sucessão municipal de 2020, cujos desdobramentos deságuam na disputa ao Palácio Anchieta. 

No centro do poder, o governador Renato Casagrande (PSB) dá as cartas, articulando a sua própria sucessão, em 2022. Com prestígio em alta, por conta de uma gestão bem iniciada, Casagrande terá que superar, no decorrer dos 19 meses que separam abril deste ano de outubro de 2020, barreiras que podem colocar em risco acordos e parcerias firmadas na campanha do ano passado.

A principal se relaciona ao deputado estadual Fabrício Gandini, presidente do PPS no Estado, cujo projeto de concorrer à Prefeitura de Vitória, apoiado pelo prefeito da capital, Luciano Rezende (PPS), encontra pela frente um forte obstáculo: o também deputado Sérgio Majeski (PSB), sinalizado no mercado político como um pré-candidato com grande potencial. 

A sucessão em Vitória, pelos menos nesses movimentos iniciais, tem outros pretendentes, destacando-se o vice-prefeito Sérgio Sá (PSB), a deputada federal Soraya Manato (PSL), mulher do segundo colocado na disputa ao Palácio Anchieta em 2018 e presidente do PSL capixaba, Carlos Manato, e outros menos cotados, como o presidente da Câmara de Vitória, Cléber Félix, o Clebinho (PP).  

Soraya Manato se elegeu em uma disputa atípica, no vácuo da campanha do presidente Jair Bolsonaro, caracterizada por fake news e cujo prestígio está em baixa, em consequência do despreparo e das trapalhadas registradas após ele tomar posse. Contando apenas com o potencial eleitoral do marido, ex-deputado federal e atual secretário-geral da Casa Civil da Presidência da República, dificilmente terá papel destacado na sucessão.

No entanto, não pode ser descartado que Manato poderá retornar à parceria que manteve com o grupo do presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso (PRB), ainda na fase inicial, partido que abriga o deputado federal eleito Amaro Neto, o mais votado no Estado em 2018.   

Da mesma forma, o vice-prefeito Sérgio Sá, à frente da Secretaria Municipal de Obras, que lhe dá boa visibilidade. Ele está em franca campanha e tem condições de crescer eleitoralmente, mas não ao ponto de ameaçar o cenário colocado até agora. Por isso, deve compor com outras frentes.  

E por que não com Majeski? Esse questionamento circula nos meios políticos e leva em consideração que os dois são do mesmo partido, que inclui entre seus membros o governador Renato Casagrande. Essa articulação joga luz na sucessão do governo e, embora Casagrande evite falar sobre o assunto, sabe-se que ele disputará a reeleição
 
Apesar de isolado até mesmo em seu partido, Majeski é visto no mercado como um representante da nova política, sem vinculação a grupos tradicionais que possam alterar sua atuação parlamentar. Em seu segundo mandato na Assembleia, o deputado se notabilizou por meio de bandeiras que tocam diretamente a sociedade, como a educação.

O deputado foi o mais votado nas eleições de 2018, com 47 mil votos, sendo 15,8 mil em Vitória, 9,3 mil em Vila Velha e 4,6 mil na Serra, ampliando sua densidade nos três maiores colégios eleitorais do Espírito Santo

Já Fabrício Gandini, ex-vereador de Vitória por dois mandatos, foi presidente da Câmara Municipal e ocupou uma supersecretaria criada pelo prefeito Luciano Rezende para projetá-lo politicamente. Ele foi eleito para a Assembleia com 20,7 mil votos, obtendo nos três maiores colégios eleitorais 13,3 mil votos, sendo 10,3 mil em Vitória, 1,5 na Serra e 1,5 em Vila Velha.  

De um lado, a Secretaria de Administração, Gestão e Comunicação Social lhe deu visibilidade, mas, de outro, contribuiu para desgastá-lo, da mesma forma como ocorreu quando ele ocupou a Presidência da Câmara de Vereadores em 2014 e lançou o programa “Fiscaliza Vitória”. 

A um custo altíssimo, o programa foi desativado em 2017 pelo então presidente da Câmara e aliado de Gandini, Vinícius Simões (PPS), que anunciou, na época, uma versão mais econômica. Essa decisão foi adotada depois de muita polêmica e resultados inexpressivos, se comparados com a estrutura montada, no mesmo molde do projeto Gabinete Itinerante do prefeito Luciano Rezende. 

As pré-candidaturas estão colocadas dessa forma nesta terça-feira (19), quando o mercado registra movimentações para eleições de diretórios de partidos políticos, uma forma de marcar terreno, construir as bases e adotar posicionamentos visando conquistar o eleitor. 

Mesmo que o governador Renato Casagrande afirme em declarações à imprensa que ainda é cedo para falar no assunto, como bom articulador que é, o fato é que o processo sucessório já começou.

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