Após mais de três anos do crime, atingidos ainda lutam por atendimento de saúde

Doenças e óbitos aumentaram, mas programa especial de saúde ainda não foi implementado no Foz do Rio Doce

Diversas entidades das comunidades da foz do Rio Doce, em Linhares, norte do Espírito Santo, ainda lutam para que seja implantado um Plano Emergencial de Saúde com a chegada de mais profissionais da área para atender os atingidos pelo crime socioambiental da Samarco/Vale-BHP.  

Nesta quinta-feira (14), uma comissão de atingidos se reuniu com representantes da Câmara Técnica de Saúde do Comitê Interfederativo (CIF), responsável pelos estudos técnicos e decisões relacionadas com os impactos do crime e soluções para os mesmos a nível social, ambiental e econômico. O resultado foi positivo e as demandas foram acolhidas pela Câmara Técnica, que agora deve conduzir a formatação do programa especial de saúde para ser implementado junto à prefeitura e a Fundação Renova.

Em janeiro, 10 instituições da região assinaram uma carta direcionada à Câmara que levanta uma série de reivindicações para os atingidos por conta dos impactos do crime para a saúde local. "Foi uma carta que escrevemos a partir de nossa vivência e observação do que está acontecendo na foz depois do crime. O que a gente percebeu foi o aumento de doenças ligadas ao sistema nervoso e também aumento de agravos físicos, hipertensão, infecções urinárias, dermatoses, doenças psicológicas e também do número de óbitos", relata Luciana Souza, moradora de Regência e integrante da Comissão de Atingidos.

Ela lembra que a reivindicação pede que seja feito algo similar ao que já acontece em municípios como Mariana, Barra Longa e Rio Doce, em Minas Gerais. A demanda na foz do rio inclui ampliação do Programa de Saúde da Família e contratação de profissionais de saúde com carga horária estendida em especialidades como Psiquiatria, Pediatria, Dermatologia, Psicologia, Geriatria e Clínica Geral.

"As demandas em relação à saúde aumentaram muito, potencializaram o que já existia, e surgiram outras demandas e o poder público não está dando conta dessa nova realidade. Por isso apontamos a responsabilidade da Samarco e da Fundação Renova, já que a situação surgiu a partir do crime", aponta Luciana.

Apesar de ocorridos mais de três anos do crime, a questão da saúde ainda não teve avanços significativos na foz, sendo que a Câmara Técnica foi a penúltima a ser implantada, antes apenas da Câmara de Povos Tradicionais.

As entidades que assinaram a carta de reivindicação são Associação de Moradores de Regência, Associação Comercial de Regência, Associação Cultural Banda de Congo de Regência, Associação dos Artesãos de Regência, Projeto Tamar, Associação de Moradores e Agricultores Familiares de Entre Rios, Associação de Moradores de Povoação, Associação Cultural de Povoação, Associação Comercial de Povoação e Associação do Degredo.

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