Após protestos contra cortes na Educação, greve geral está marcada para o dia 14

No Estado, trabalhadores, servidores, estudantes e professores também lutam contra reforma da Previdência

Após manifestações expressivas das comunidade escolares da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e do Instituto Federal capixaba (Ifes) nos protestos #15M e #30M (realizados em 15 e 30 de maio, respectivamente) contra os cortes na educação pública, uma greve geral está prevista para o próximo dia 14 contra a reforma da Previdência. Movimentos sindicais, populares e estudantis farão a paralisação contra o desmonte de políticas públicas promovido pelo governo Jair Bolsonaro e os retrocessos na aposentadoria.

A greve geral pretende mobilizar, além da comunidade escolar em todos os níveis, os trabalhadores de todas as áreas (do setor privado e público). Neste caso, a mobilização tem sido feita pelos vários sindicatos e associações de classe. Além de serem contra a reforma da Previdência, os trabalhadores também pleiteiam a retomada do crescimento. 

No Espírito Santo, mais uma reunião preparatória está marcada para esta sexta-feira (7), às 9h, na sede da Associação dos Docentes da Ufes (Adufes), no campus Goiabeiras. Um primeiro encontro foi realizado na sede do Sindicato dos Bancários nessa quarta-feira (5) à noite. A diretoria da Adufes e representantes de outros sindicatos e movimentos sociais discutem as estratégias para que o movimento unificado do dia 14 de junho alcance os resultados esperados, ou seja, outra multidão tomando as ruas da Capital, além de manifestações no interior. 

“A reunião é aberta; pode e deve ser enriquecida por docentes, estudantes e técnico-administrativos que se disponham a participar da organização do movimento”, ressalta o presidente da Adufes, José Antônio da Rocha Pinto.  Durante o encontro, os presentes vão definir a participação nas atividades da Greve Geral no Estado, bem como as ações específicas que ocorrerão nas instituições de ensino em defesa da aposentadoria e contra o desmonte da educação.

A intenção é fazer das universidades e escolas palcos de aulas públicas e debates que culminarão numa grande manifestação conjunta na Grande Vitória e em municípios do interior. O cronograma de atividades será divulgado na próxima semana.

“A orientação é que a partir de agora a mobilização comece a ser construída nas bases, para que no dia 14 de junho sejam paralisados todos os locais de trabalho, escolas, comércio, bancos, enfim, que seja de fato um movimento amplo e unificado”, conclui o presidente da Adufes.

Luta permanente

Diante do quadro de recrudescimento dos direitos dos estudantes e trabalhadores, a União Nacional dos Estudantes também participa da greve geral para o próximo dia 14 de junho em todo o país. O movimento, impulsionado pelas últimas grandes manifestações contra os cortes na educação, promete continuar a luta e ainda rechaçar a alta do desemprego no país e a tentativa de reforma da Previdência do governo Bolsonaro.

A presidenta da entidade Marianna Dias, destacou que este é um momento desafiador, com conquistas importantes sob ameaça. “A UNE precisa estar vigilante para ser a vanguarda da luta. A luta por mais empregos, a luta contra essa reforma da previdência e, principalmente, na defesa da educação de qualidade. São muitos os retrocessos que prejudicam os estudantes e trabalhadores. Não podemos deixar nada disso passar”, concluiu.

Audiência pública

No próximo dia 10, às 16 horas, no Teatro da Ufes, será realizada, por sua vez, uma audiência pública em defesa da Ufes e do Ifes, com a presença do Ministério Público Federal no Espírito Santo (MPF), além do Movimento Estudantil Unificado do Ifes, sindiado dos servidores da Ufes (Sintudes), do Ifes (Sinase) e a Adufes. 

No último dia 3, o reitor da Ufes, Reinaldo Centodecatte, e a vice-reitora, Ethel Maciel, receberam o deputado federal Sérgio Vidigal (PDT) e o assessor parlamentar Marcos Soares, representando o deputado federal Da Vitória (PPS), para uma reunião na qual foram apresentados dados gerais sobre a universidade e os impactos que o corte, anunciado pelo Governo Federal no início de maio, provocou à instituição.

O reitor apresentou dados relacionados à estrutura, receita e despesas, graduação e pós-graduação, assistência estudantil e extensão, além do Hospital Universitário e de projetos de destaque em nível nacional e internacional.

“É uma infraestrutura grande para manter e é esse recurso para manutenção que estão cortando. Não dá para perdermos verba de custeio”, afirmou Centoducatte.

“Muitas pessoas pensam que somos apenas uma escola de 3º grau, com salas de aula, alunos e professores. Mas a Ufes é muito mais que isso”, destacou a vice-reitora.

O deputado Sérgio Vidigal, que compõe uma comissão criada para acompanhar as atividades do Ministério da Educação, colocou-se à disposição para defender as instituições federais de ensino.

“É muito importante conhecermos esses dados. Vamos mostrar aos parlamentares para que eles também conheçam um pouco mais o que funciona em uma universidade e como funciona. Vamos ajudar a difundir isso", afirmou o deputado.

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