Após protestos, diretora geral do Hospital Antonio Bezerra de Faria é exonerada

Neio Lúcio Fraga Pereira, médico da família gaúcho, assume no lugar de Regina Rua

Depois de protestos e abaixo-assinados realizados por servidores do Hospital do Estadual Antonio Bezerra de Faria, em Vila Velha, nessa terça-feira (19) foi publicado no Diário Oficial do Estado a exoneração de Regina Aparecida Avelar Rua, que ocupava o cargo de diretora-geral da unidade. Em seu lugar, assume Neio Lúcio Fraga Pereira, médico da família gaúcho, que tem experiência em gestão pública e já ocupou os cargo de secretário de saúde de municípios do Rio Grande do Sul como Gravataí e Sapucaia do Sul. 
 
Os servidores comemoram a decisão tomada pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). Eles apontam que, além da falta de zelo com o Hospital, a diretora tratava os trabalhadores e pacientes de forma desrespeitosa. Em um episódio recente, servidores denunciaram que ela havia desrespeitado até mesmo a memória do diretor sindical e servidor público do Bezerra, Valdecir Gomes Nascimento, falecido em 23 de janeiro último.

“A categoria está aliviada com a saída da diretora-geral. O clima de trabalho já não era suportável há algum tempo. Não desejo mal a ninguém, estamos nesta vida para evoluir, no meu ponto de vista. Espero que aquela senhora retire um grande aprendizado para a vida dela após tudo isso que aconteceu e que o novo diretor geral do Bezerra seja uma pessoa compromissada com o SUS [Sistema Único de Saúde] e que faça uma gestão mais humanizada”, declara Cynara Azevedo, da Secretaria de Condições de Trabalho do Sindicato dos Servidores da Saúde (Sindsaúde-ES).

Protestos 

No dia 28 de janeiro passado, servidores do Hospital chegaram a organizar abaixo-assinados para que a Sesa exonerasse a então diretora da unidade, Regina Rua. Também foi realizado um protesto organizado por representantes do Sindsaúde-ES, colegas de trabalho e familiares de Valdecir, que foram até a sala da diretora do Hospital e, munidos de cartazes, realizaram um ato simbólico. 

Após o protesto, foi realizada uma reunião setorial com os servidores e servidoras do Hospital Antonio Bezerra de Faria. No mesmo dia, representantes do Sindsaúde conversaram com o secretário estadual Nésio Fernandes de Medeiros Júnior, para reivindicar a troca de gestão. 
 
Sucateamento

O único hospital público de Vila Velha, município com cerca de 480 mil habitantes, sofre há anos com a falta de infraestrutura, o que, constantemente, tem colocado a vida de pacientes em risco. Os problemas relatados incluem falta de materiais, medicamentos e equipamentos como respiradores, além de estrutura física sucateada e superlotação com leitos improvisados até no chão. 

No último dia 5 de fevereiro, uma tubulação da parte hidráulica do hospital estourou, quebrando o forro de gesso e alagando o Centro de Tratamento e Terapia Intensiva (CTI) da unidade. Os pacientes precisaram ser retirados com urgência e distribuídos por outros setores do hospital. 

“A falta de manutenção na estrutura do hospital é uma realidade. Nos últimos anos, o sindicato denunciou a falta de investimentos e o caos na saúde pública capixaba. O sucateamento dos hospitais estaduais serviam de prática para justificar a necessidade de privatização/terceirização”, afirmou à época Cynara Azevedo.
 

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