Aposentadoria antecipada

Magno Malta sentiu forte o golpe: não disputará mais eleições. 'Hun'...será?

De candidato à reeleição cotado como favorito no início do processo eleitoral deste ano a anúncio de aposentadoria da vida pública. Os capítulos envolvendo o senador Magno Malta (PR) nos últimos meses, que representaram uma sucessão de perdas políticas e arranhões à sua imagem, culminaram numa decisão radical e, até que se prove o contrário definitiva, anunciada por ele em entrevista divulgada pelo The Intercept Brasil nesta quarta-feira (5). As declarações ocorrem depois do seu “refúgio” em sítio de Viana, para onde foi quando teve a certeza de rolar por água abaixo seu projeto de assumir um ministério no futuro governo do aliado, Jair Bolsonaro (PSL). Primeiro rejeitado pelo eleitorado capixaba, depois por setores do País diante dessa possibilidade, e, por fim, pelo próprio núcleo militar da equipe do presidente eleito e ainda pela bancada evangélica do Congresso Nacional, que é sua área de atuação. Magno sentiu forte o golpe, sobre isso não há a menor dúvida. Difícil é acreditar que ele, de fato, virou carta fora do baralho da política depois de 30 anos de carreira, em que fez e aconteceu no Estado, colocando-se de forma pra lá de imponente. Hoje, Magno “é um pote até aqui de mágoa”, mas recuperado do baque, ainda acho que tudo pode acontecer.

‘Homem tóxico’
A longa entrevista, concedida no voo de volta a Brasília, depois de a repórter do The Intercept percorrer Vitória, Vila Velha e Cachoeiro de Itapemirim, lembra não só as derrotas ao Senado e ao cargo de ministro, como os escândalos mais recentes envolvendo Magno, que o tornou um “homem tóxico” para a equipe de Bolsonaro. Um deles a denúncia tornada pública por Século Diário em setembro passado, ainda antes da eleição.

‘Homem tóxico II’
A acusação do pai inocentado pela Justiça após ser acusado de estuprar a própria filha de dois anos pela CPI da Pedofilia, presidida por Magno, foi replicada na época na imprensa nacional e, mais recentemente, viraram matérias em veículos como a Folha de S.Paulo e o próprio The Intercept. O ex-cobrador de ônibus Luiz Alves repetiu as declarações e os documentos contra Magno, a quem processa.  

Futuro
Feito o anúncio de que não quer mais disputar eleições, “visivelmente abatido, magoado e amargurado”, como adjetiva a reportagem, Magno afirmou que se dedicará ao seu projeto de recuperação de viciados em drogas em Cachoeiro, à sua agenda de cantor gospel e aos netos. 

E Bolsonaro?
O senador evita mais ruídos e tenta convencer de que os dois permanecem amigos. Sei não...

Sem perfil
A propósito, também nesta quinta, o presidente eleito voltou a falar do “caso Magno” ao jornal O Globo. Disse que o senador não será ministro porque “o perfil dele não se enquadrou", mas que "as portas estão abertas" para  participar do governo de outra forma. Como seria, nem ele demonstrou saber.

Carta na manga
Do deputado federal Marcus Vicente (PP), pra lá de acostumado com o poder, passando pelo escritor Maciel de Aguiar, também com passagens por gestões públicas, para chegar a um novato, jovem e desconhecido do mercado político, Fabrício Noronha. O governador eleito, Renato Casagrande (PSB), mais uma vez surpreendeu com esse anúncio do secretário de Cultura. Ao contrário dos dois primeiros, ele não aparecia nas cotações de bastidores. 

Pistas
Já no setor de Meio Ambiente, o nome que passou a circular nesses dias para assumir a Seama é de Mário Louzada, do sul do Estado, e que já foi superintendente do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Outro, para pânico geral das entidades ambientalistas, foi do secretário de Vitória, Luiz Emanuel Zouain (PPS), aliado de Luciano Rezende.

Torcedor autêntico
Aliás, como Casagrande é botafoguense, já tem gente do mercado brincando que a formação da equipe de governo lembra à do time de futebol, que escolheu sempre com jogadores medianos, e não grandes estrelas, para se chegar às vitórias. O povo perde o amigo...

Divisões
Ainda na escalação do próximo governo, na divisão do território político dentro da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), comandada a partir de 2019 por Rodrigo de Paula, já estaria definido para o grupo hartunguete a Corregedoria e para o de Casagrande duas subprocuradorias. A pressão, agora, é pela importante Procuradoria Fiscal Tributária.

Doleiros-palestrantes
O II Encontro do Dia Internacional Contra a Corrupção, realizado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCES) nesta quarta-feira (5), deu o que falar nos bastidores. É que o evento, patrocinado pelo Fórum de Combate à Corrupção (Focco-ES), teve palestra com a presença de dois doleiros presos na Lava Jato no Rio de Janeiro: Vinícius Vieira Barreto Claret (Juca Bala) e Cláudio Fernando Barbosa (Tony), citados no esquemão do ex-governador Sérgio Cabral, e condenados pela Justiça.

Doleiros-palestrantes II
O site do TCE não cita os nomes, mas confirma a “palestra da procuradora Marisa Varotto Ferrari com colaboradores premiados, desenvolvida a partir do acordo de delação premiada de dois doleiros presos na Lava Jato no Rio”. O “aulão” dos dois doleiros sobre “técnicas de lavagem de dinheiro” está rodando o País e – dizem – é sucesso. Que coisa...
 
PENSAMENTO:
“O segredo de aborrecer é dizer tudo”. Voltaire

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