Arte de Rua é tema de debate do Radicais Livres ES

Encontro será nesta quinta-feira e convida artistas ligados ao hip hop para bate-papo no Centro de Vitória

Desde maio deste ano, o grupo Radicais Livres ES vem se reunindo com um propósito: debater, presencialmente, arte e política de maneira crítica. Nesta quinta-feira (21) acontece o sétimo encontro, com participação gratuita e aberta, e o tema Arte de Rua e Crítica Social. O local do evento é o Stael Magesck Centro Artístico, espaço cultural localizado no Centro de Vitória.

Para abrir o debate, três convidados representativos na cena da cultura urbana na Grande Vitória. São eles a designer de moda Pandora da Luz, fundadora e diretora nacional do Nação Hip Hop Brasil; o artista visual e MC Fredone Fone, integrante do coletivo de graffiti LDM98, do Instituto TamoJunto e do Projeto Latinta; e o artista plástico Renato Ren, que desenvolve diversos trabalhos com intervenção urbana, além de cantar rap do grupo Conteúdo Paralelo.

“A arte de rua é fundamental hoje na expressão principalmente de grupos periféricos considerados excluídos. É fundamental que tenham uma voz dentro da sociedade. O hip hop é uma postura diante de mundo, que inclui dança, canto, música, pintura, na busca de expressão de grupos sociais menos favorecidos que muitas vezes são perseguidos e criminalizados. Mas a arte de rua adquiriu uma dimensão que não tem mais como desconsiderá-la”, explica o gestor cultural Erlon José Paschoal, coordenador e mediador do debate, sobre a relevância do tema.

O foco do Radicais Livres ES é debater a cultura contemporânea, considerando a importância de discutir sua interface com os dias de hoje, especialmente considerando o avanço conservador nos últimos anos no Brasil. Possui também um grupo no Facebook para reunir material e divulgar os eventos. Mas a essência é o encontro presencial, a troca de informações e o debate olho no olho, que geralmente mobiliza entre 30 e 40 pessoas a cada edição.

“Arte e política são dimensões inseparáveis, mas em alguns momentos parecem não ter a ver uma com a outra. Como no atual momento, em que vivemos aberrações como a criminalização de professores, artistas e pesquisadores porque pensam de forma crítica, o que é, pelo contrário, necessário para fazer o país avançar”.

Nos encontros mensais, o grupo busca levantar temas distintos e também buscar espaços afins com o assunto em discussão. Nos seis eventos anteriores, foram debatidos Cultura e Artes Cênicas, Diversidade Cultural, Literatura Engajada, Artes Visuais e Crítica Social, Música como Protesto e Reflexão e Arte Digital, Novas Mídias e Crítica Social, somando mais de 200 participantes no total.

“A participação dos debatedores e do público têm sido muito ricas. Ninguém é dono da verdade, a ideia é promover diálogos que aproximem ideias e ampliem pensamentos. Estamos vivemos um momento de espalhar imbecilidades, discutir se menino deve usar azul ou rosa ou se o nazismo é de esquerda. Mas nós vamos na contramão, querendo aprofundar temas, e os debates têm sido envolventes e enriquecedores”, considera Erlon Pachoal.

Este deve ser o último evento do Radicais Livres ES em 2019, fazendo uma pausa nas férias para retornar em fevereiro de 2020, quando irá buscar incluir outras linguagens que ainda não foram tema dos encontros, como Cinema e Audiovisual. “Neste momento atual do Brasil, não podemos nos limitar a ações pelas redes sociais. É preciso ter encontros presenciais para discutir arte e política, reforça o organizador do projeto, que conta com apoio de diversos artistas e produtores culturais capixabas.

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