Assembleia aprova anistia de policiais e Hartung chama decisão de irresponsável

Como era esperado, os deputados estaduais aprovaram o projeto de anistia à unanimidade

A Assembleia Legislativa aprovou, na manhã desta quarta-feira (16), à unanimidade, o projeto de anistia de mais de 2.600 policiais militares envolvidos na greve geral da PM em fevereiro de 2017, enviado pelo governador Renato Casagrande (PSB).  

A aprovação, já esperada, gerou críticas do ex-governador Paulo Hartung (sem partido), que chamou, em nota, a decisão de “política e irresponsável”. Com esse procedimento, Hartung rebate críticas do governador Renato  Casagrande (PSB) e reforça o embate entre os dois, intensificada desde a formação da equipe de transição do atual governo. 

Na mesma sessão desta quarta-feira (16), os parlamentares rejeitaram emenda do deputado Enivaldo dos Anjos (PSD), para incluir no projeto uma indenização de R$ 100 mil às famílias de vítimas de homicídio durante a greve e, também, de redução de ICMS a comerciantes prejudicados em função do movimento. 

Enquanto os deputados aprovavam o projeto, foi divulgada uma nota do ex-governador Paulo Hartung, na qual ele afirma que a decisão é “contra a lei, que proíbe greve de funcionário público armado. E também é uma decisão contra a sociedade, que ficou refém durante o movimento grevista e que viu vidas serem perdidas em função da greve”.

O ex-governador afirma que “houve diálogo permanente com os servidores. O que não havia era dinheiro para conceder reajuste salarial naquele momento porque, quando assumi o Estado, ele já se encontrava no limite de alerta em relação ao gasto de pessoal - o que fere a Lei de Responsabilidade Fiscal”.

De pensamento oposto é o presidente da Associação de Cabos e Soldados, cabo Jackson Eugênio Silote, que comemora a decisão, principalmente porque houve abertura de diálogo com a tropa. De fato, a situação de policiais penalizados por terem participado do movimento gerou um clima de insatisfação generalizado, havendo até mesmo casos de suicídios de PMs. 

O movimento grevista reivindicava revisão salarial, melhores condições de trabalho, inclusive no aspecto de segurança dos policiais, que por vezes trabalhavam sem coletes à prova de bala e com equipamentos obsoletos. 

A greve representou um desgaste significativo para o governo anterior, sendo apontado como um dos fatores que levaram o ex-governador a não disputar a reeleição, por conta do desprestígio entre os servidores públicos. As entidades de classe de várias categorias de trabalhadores, mobilizadas, apontam uma política fiscal equivocada, em detrimento dos servidores públicos.  

O projeto de anistia começou a ser construído na campanha eleitoral de Casagrande, em 2018, e vai alterar 2622 procedimentos administrativos instaurados, sendo que 23 policiais já foram excluídos da corporação. 
 

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3 Comentários
  • LUIZ CLÁUDIO DE AZEVEDO , quarta, 16 de janeiro de 2019

    Decisão irresponsável foi ele ter deixado os servidores sem reajuste anual durante 4 anos .

  • Rodrigo , quarta, 16 de janeiro de 2019

    Se greve de funcionário público armado é contra a lei, os policiais grevistas então cometeram um crime. O governo e os deputados estão dizendo com esse "projeto de anistia" que O CRIME COMPENSA. Lamentável!

  • jordano , quinta, 17 de janeiro de 2019

    Foi publicado em jornal de grande circulação a convocação para assembleia do sindicato dos policiais para deliberar sobre greve? Foi comunicado ao empregador o resultado da assembleia? Creio que não. Então por que estão chamando de creve? Creio que o que ocorreu pode ser chamado de qualquer coisa, exceto de greve. Sou leigo no assunto mas acho que é isso.