Ato da Frente Unificada mantém vigília em reunião do governo com entidades

Em passeata, manifestantes seguiram até o Palácio da Fonte Grande, onde aguardam nova proposta de reajuste

Após um protesto que teve início nesta quinta-feira (13) às 13h, em frente ao Edifício Fábio Ruschi, no Centro de Vitória, os manifestantes liderados pela Frente Unificada pela Valorização Salarial dos Policiais Militares, Policiais Civis e Bombeiros Militares seguiram em passeata até o Palácio da Fonte Grande, também na região central da capital, para manter vigília durante a reunião de entidades representativas da segurança pública com secretários de Estado envolvidos na negociação de reajuste salarial.

Em carro de som, os representantes da Frente Unificada afirmaram que, caso o governo não apresente uma nova proposta, as associações irão mobilizar uma operação-padrão, provavelmente na forma da chamada operação-legalidade, em que são feitas algumas mudanças no expediente de trabalho, além de requisição de documentos junto ao Estado para verificar licitações, vistorias em delegacias, laudos de delegacias sucateadas e prédios públicos e interdições. 

“Ninguém aqui é radical”, falaram algumas lideranças ao microfone para os manifestantes, garantindo que não planejam nada semelhante ao movimento paredista da Polícia Militar em fevereiro de 2017. 

Além disso, a Frente também anunciou que já articulou um movimento nacional de “panelas vazias”, em referência ao alegado “pior salário do país” quando o Espírito Santo é comparado às demais unidades da federação. 

Um dos participantes da manifestação, o deputado estadual Capitão Assumção (PSL) se disse decepcionado com a “falta de educação do governo”, que impediu a entrada dele no Palácio da Fonte Grande. 

Assumção explica que recebeu a incumbência de representar a Comissão de Segurança da Assembleia Legislativa na reunião entre a Frente e o Governo, juntamente com o deputado Delegado Lorenzo Pazolini (sem partido), pelas mãos do próprio presidente do colegiado, deputado Delegado Danilo Bahiense (PSL), conforme foi acordado durante reunião realizada na última segunda-feira (10) na Casa Legislativa. 

Mas a entrada dos dois parlamentares teria sido barrada pelos secretários-chefes da Casa Militar e da Casa Civil, Coronel Jocarly Martins de Aguiar Junior e Davi Diniz de Carvalho, respectivamente. Também os representantes da Frente Unificada estariam tendo dificuldade em participar da reunião, já que apenas dois deles tiveram autorização para entrar.

“O sentimento aqui embaixo [em frente ao Palácio da Fonte Grande] é de revolta. Vamos tentar controlar os ânimos”, declarou Assumção. 

Proposta 

O governo do Estado propõe, a todas as categorias de polícia civil, militar e bombeiros, um reajuste anual de 4% em 2020, 2021 e 2022, mais reposição inflacionária anual, que em 2019 foi de 3,5%. 

A proposta foi anunciada na última sexta-feira (7) pelo delegado-geral da PC, José Darcy Santos Arruda, em vídeo gravado com o Sindicato dos Policiais Civis do ES (Sindipol/ES) e compartilhado nas redes sociais.

Além do Sindipol, também os sindicatos dos Inspetores Penitenciários do Espírito Santo (Sindaspes) e dos Agentes Socioeducativos do Espírito Santo (Sinases) aceitaram a proposta, como um primeiro passo rumo à conquista de outras reivindicações historicamente negligenciadas pelo Estado, como justificam.

A Frente Unificada, no entanto, rejeita a proposta e exige mínimo de 45% de reajuste, parcelado nos próximos três anos, descontando a reposição inflacionária.

A Frente é formada pela Associação dos Militares da Reserva, Reformados, da Ativa da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros Militar e Pensionistas de Militares do Estado do Espírito Santo (Aspomires); Associação dos Bombeiros Militares do Estado (ABMES); Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiro Militar (ACSPMBMES); Associação dos Subtenentes e Sargentos da Polícia Militar (Asses); Associação dos Oficiais da Polícia Militar (Assomes); Sindicato dos Investigadores de Polícia Civil do Estado (Sinpol); Associação dos Investigadores de Polícia (Assinpol); Sindicato dos Delegados de Polícia Civil (Sindepes); e Associação dos Delegados de Polícia Civil (Adepol).
 

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