Ato nesta terça-feira protesta contra fechamento da Escola Geração

Ação movida pelo Bandes ameaça o projeto inclusivo e humanitário desenvolvido há 50 anos em Vitória

 “Venha de branco”. É com essa mensagem de paz que alunos, ex-alunos, pais, funcionários, professores e amigos convidam os capixabas a se unirem nesta terça-feira (23), a partir das 17 horas, à manifestação que será realizada em frente à Escola Geração contra fechamento decretado pela Justiça Estadual em ação movida pelo Banco de Desenvolvimento do Estado (Bandes). 

O ato integra as atividades que resultam de uma mobilização iniciada pelos familiares e responsáveis por alunos da escola desde que a diretora, Marisa Amaral, enviou comunicado no último dia 11 sobre a decisão da Justiça de desocupação do terreno até 20 de dezembro próximo, o que impediu a abertura das rematrículas e matrículas para o ano letivo de 2019. A escola engloba turmas da educação infantil e fundamental 1.

Com um trabalho pioneiro voltado para inclusão de crianças carentes e com necessidades especiais, a medida gerou forte comoção popular com repercussão nas redes sociais e entre outras unidades de ensino, que já se somam à luta pela manutenção do funcionamento da escola e sua importante contribuição para a sociedade.

Além de um abaixo-assinado elaborado pela Comissão de Pais e Mães, o movimento criou uma campanha no site Avaaz, com o título “Governo do Espírito Santo na figura do Bandes: salve a Escola Geração”. Em menos de 24 horas, o documento ultrapassou a meta de mil assinaturas.

Nos pedidos, os pais reforçam a demanda pela manutenção da escola e destacam o “receio dos nossos filhos sofrerem danos irreparáveis”. Assim, requerem que o Bandes solicite a suspensão do processo de execução (nº.024.89.006341-5) pelo prazo mínimo de 15 meses e, consequentemente, da ordem judicial assinada juiz Rodrigo Cardoso de Freitas.

“Nossa solicitação ainda se encontra justificada no fato de que 85% da dívida foram recebidos pelo Bandes no curso do processo, em 1995, por pagamentos efetuados pelo Sr. João Carlos Torezani, conforme comprovado pelos dois recibos anexados ao presente, razão pela qual, apurado valor devido com efetivo abatimento do que fora pago, possa ser celebrado parcelamento do saldo remanescente”.

O banco quer que o imóvel integral seja vendido, imediatamente, para receber os 15% restantes do crédito, que calcula em R$ 4,3 milhões. Advogados que analisam a questão apontam, porém, que considerando essa mesma lógica de cálculo, os 85% quitados pela família representariam mais de R$ 20 milhões. Além disso, existem dois outros processos sobre o caso ainda sem decisão final, um deles pelo reconhecimento do direito de usucapião da área.

A escola foi fundada em 1968 por Yolanda Amaral, mãe de Marisa, que assumiu o projeto em 1992, quando o nome passou de ABC do Lobinho para Geração. O terreno sempre pertenceu à família e agrega, também, a residência de Marisa e seus filhos.

A ação movida pelo Bandes é contra a empresa falida Café Glória e os seus herdeiros desde os anos 90, mas, por deficiência na transferência de propriedade feita na década de 50, a escola foi envolvida no litígio. Apesar das tentativas de negociação durante todos esses anos, o Bandes insiste em vender o amplo terreno, localizado na Constante Sodré (nº 475), em Santa Lúcia, área cobiçada pela especulação mobiliária. 

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