Atrás vem gente

Casagrande fez de tudo para ficar fora de alcance, mas não teve jeito: virou alvo do ato pró-Bolsonaro

Com 63% dos capixabas favoráveis ao presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 2018, o governador Renato Casagrande tentava se manter, até agora, fora de alcance da acirrada divisão política instalada no Estado e no País. O esforço vinha desde o segundo turno da disputa, quando optou por subir no muro e anunciou uma posição de neutralidade, contrariando decisão da Nacional de apoiar Fernando Haddad (PT). Daí em diante, permaneceu na missão de não criticar o novo governo e, mesmo nesses casos, como no debate da reforma da Previdência, que apoia com ressalvas, evitou entrar em rota de colisão direta, de novo na contramão do que determina o PSB, que está em campanha parar barrar a proposta. Acontecimentos recentes, porém, obrigaram o governador a se posicionar: cortes anunciados nas instituições federais de Educação e a publicação do decreto com mudanças nas regras para obtenção do porte e posse de armas. Nos dois casos, contrário ao governo federal. Não deu outra, virou alvo dos protestos que arrastaram uma multidão em Vitória nesse domingo (26), que o acusaram, de cima do trio elétrico, de ser “esquerdista”, investigado da Lava Jato, e defender pauta avessa à demanda da população. No desgaste ao governador, desta vez nas ruas, ponto para a oposição! 

Atrás vem gente II
De cima do mesmo trio elétrico, o secretário especial da Casa Civil de Bolsonaro e adversário de Casagrande nas últimas eleições, Carlos Manato (PSL), ao lado da mulher Soraya Manato (PSL), que elegeu à Câmara Federal, e também de deputados estaduais do partido, que participaram do protesto- bônus. 

Pedestal
Quase todos integrantes da bancada da Assembleia, aliás, fizeram discursos sobre a “linda festa” na sessão desta segunda-feira (27). Capitão Assumção, para variar, puxou o coro, seguido de Tourino Marques e Danilo Bahiense. Como sempre, colocando os manifestantes pró-bolsonaro como exemplos de seres humanos a serem seguidos. Menos, gente, menos!

Perdeu a linha
Por outro lado, Assumção resolveu atacar a Marcha da Maconha, que defende a regulamentação do comércio e uso já aplicada em outros países. Realizada no mesmo dia em Vitória, ele chamou os participantes de “bando de vagabundos” e bradou que a polícia “tinha que descer a borracha neles”. Não satisfeito, soltou mais essa: “qual vai ser a próxima, das vadias?”. “Grande” exemplo, hein, deputado! 

Já o líder...
Enivaldo dos Anjos (PSD), ignorando as muitas críticas ao governador, ressaltou a importância do protesto desse domingo.

‘Latrina’
Um dos cartazes do ato dizia “Amaro Neto nunca mais”. No Facebook do movimento Direta Espírito Santo, o deputado federal do PRB aparece numa lista junto com Casagrande, o senador Fabiano Contarato (Rede) e o ex-governador Paulo Hartung, com o seguinte texto: “O povo capixaba está percebendo quem é quem. Vamos aprender para 2020 e 2022. Vamos colocar esses nomes numa latrina e participar da política”.

Segue...
Quase na véspera do ato, Amaro despertou a revolta dos apoiadores de Bolsonaro  ao votar favorável ao retorno do Conselho das Atividades Financeiras (Coaf) ao Ministério da Economia, tirando-o do Ministério da Justiça, como queria o ministro Sergio Moro. Já Contarato tem assinado sucessivas ações contra medidas do governo, como a reforma da Previdência e o decreto de armas. E Hartung, hein, foi “ressuscitado” nessa história por quê?

Palanque
Por falar em PSL, o partido lançou a candidatura a prefeito de Cariacica do subtenente Assis, que disputou o Senado no pleito passado na chapa do PSL-PRB-PP. Ele obteve 247 mil votos.

Sem nomes
O deputado estadual Euclério Sampaio (sem partido) subiu à tribuna da Assembleia nessa segunda para defender o prefeito de Itapemirim, Thiago Peçanha Lopes (PSDB), que teve o afastamento do cargo decretado pela Câmara revertido na Justiça. Falou de organização criminosa, da armação de seis vereadores que deveriam sair algemado do legislativo municipal, de um passado recente de grupos organizados, mas nada de “dar nomes aos bois”.

Sem nomes II
Aliado do prefeito da Serra, Alexandre Xambinho (Rede) também aproveitou a oportunidade e correu ao microfone para dizer que o mesmo ocorre no município, onde a Câmara e o prefeito estão em cabo de guerra. O discurso é o mesmo de Audifax, de que o “crime organizado” quer tirá-lo do poder, mas não tem adiantado muito, não, viu?!

PENSAMENTO:
“Não há inimigo insignificante”. Benjamin Franklin

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