Audifax e vereadores da Serra acertam as arestas e passam a caminhar juntos 

Audifax Barcelos e Rodrigo Caldeira participam de ato que marcou o início de obras em Vista da Serra II

De protagonistas dos mais acirrados embates políticos deste ano, o prefeito da Serra, Audifax Barcelos (Rede), e o presidente da Câmara de Vereadores, Rodrigo Caldeira, do mesmo partido, cessaram as desavenças e passaram a andar juntos.   

No rastro do conflito entre o prefeito e a Câmara, os vereadores Geraldinho Feu Rosa (PSD) e Nacib Haddad (PDT) foram afastados das funções, por motivos alheios, reduzindo de 16 para 14 o bloco de oposição a Audifax no legislativo municipal.  

As ameaças, denúncias de corrupção e de existência de uma organização criminosa na Câmara, com trancamento de pauta de votação de projetos do Executivo, cederam a um comportamento amistoso por conta de uma trégua anunciada, que se prolonga e se transforma no movimento “Juntos somos mais fortes!”, exibido em redes sociais por Caldeira, ao lado do prefeito. 

“É uma vergonha essa súbita mudança de comportamento”, desabafa liderança política, confiante de que o eleitor entenda. Para Caldeira, porém, o alinhamento com o prefeito é em 'benefício da cidade”. 

Nesse novo comportamento, o presidente da Câmara posta em redes sociais fotos de sua participação de obras, ao lado do prefeito. Uma delas, no dia 21 de agosto, foi a assinatura da ordem de serviço para as obras de drenagem e pavimentação das travessas que interligam ruas em Vista da Serra II. 

Caldeira sabe que esses movimentos garantem ampliação da densidade eleitoral em 2020, necessária para lhe garantir a reeleição e jogar no esquecimento as rusgas que geraram inclusive processos de cassação do mandato de Audifax. “A Casa está caminhando”, arremata o vereador. 

Do mesmo modo, oito comissões processantes instauradas na Câmara caíram por terra, “barradas pela Justiça”, explica. Nem mesmo a da área de saúde, um dos setores mais problemáticos do município, pôde prosseguir. 

O embate entre os dois poderes começou em abril deste ano, quando a Câmara estabeleceu mais um entrave no projeto de uma Parceria Público-Privada (PPP) de Audifax Bacelos com o valor de R$ 2,5 bilhões em contrato com duração de 30 anos, para tratamento de resíduos sólidos no município. A Câmara passou a ter o direito de analisar todas as concessões da PPP, retirando essa prerrogativa do Executivo. 

A crise institucional gerada a partir dessa medida passou, também, por grupos políticos que se articulam para a sucessão municipal, em 2020, e visam a formação de bases para concorrer ao governo do Estado em 2022. Audifax é um dos pré-candidatos ao governo e, em 2018, chegou a ser lançado em ato público pelo então governador Paulo Hartung. 

Os dois vereadores que perderam os mandatos, Geraldinho Feu Rosa e Nacib Hadad, evitam falar sobre o assunto. Aguardam o retorno ao cargo, e isso deve acontecer logo, pelo menos assim espera o presidente da Câmara, Rodrigo Caldeira.   

Nacib foi afastado em abril acusado de participa de um cartel para ganhar licitações públicas na área de limpeza e asseio. Já Geraldinho Feu Rosa foi denunciando por prática de “rachid”, apropriação de parte de salário de servidor do município. 

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