Bancada 'em chamas'

Assumção declara guerra a Quintino e o acusa de “mão leve”, leia-se ''furto'' de indicações e projetos

Guerra no PSL nacional, guerra por aqui também. Há muito tempo destoante dos colegas de partido na Assembleia Legislativa e afinado com o governo Renato Casagrande, o coronel Alexandre Quintino foi chamado de “mão leve” pelo líder da bancada, Capitão Assumção. A acusação é de “furto” de indicações e projetos de outros parlamentares”. O estopim de Assumção para oficializar o tiroteio contra o correligionário foram o protocolo e a defesa em plenário, nesta quarta-feira (6), da indicação (2637) ao governo que requer o aumento das diárias pagas aos servidores, citando como exemplo o caso dos policiais militares, civis e bombeiros que são deslocados para outros municípios durante o verão e recebem por dia apenas R$ 112 – sem reajuste há seis anos -, que devem ser usados para pagamentos de hospedagem e alimentação. O líder da bancada disse que, com a proposta, “a patente de coronel passou por cima da de capitão, coisa de hierarquia”. Explico: Assumção apresentou, em 22 de agosto, uma indicação (2093) que versa sobre praticamente a mesma coisa: aumento de 10% nas diárias, específico aos PMs que precisam atuar em outros locais. O embate, neste caso, ultrapassa o campo partidário. Os deputados representam a área da segurança pública, foram eleitos pela “onda Bolsonaro” e, recentemente, Quintino levou sozinho o bônus de uma articulação feita com Casagrande, que também foi tratada na Assembleia. Assumção garante, porém, que a “tropa não é boba” e Quintino “traiu seus votos” ao pular para o lado do governo. É...azedou de vez!

Bancada em ‘chamas’ II
O “outro caso do mão leve” citado por Assumção foi o aumento de vagas no Curso de Formação de Soldados anunciado por Casagrande na última semana. O líder do PSL na Assembleia afirma que assina projeto nesse sentido junto com os demais deputados da Comissão de Segurança. Fora esse, aponta “plágio” em outras três indicações, mas sem especificá-las. 

Juntos
O aumento das vagas no curso, como divulgado aqui na coluna, rendeu a Quintino um vídeo gravado com o governador espalhado pelas redes sociais. Casagrande dá a ele o crédito à luta em prol da categoria e o deputado retribuiu agradecendo sua “sensibilidade com as causas da segurança”.

Descolou
O limite de vagas no curso tinha sido motivo de muita polêmica na aprovação do projeto de promoção da PMs na Assembleia, em abril deste ano, consolidando o grupo de oposição a Casagrande. Quintino fazia parte do bloco, que ainda resiste, mas depois foi se afinando com o governo.

Resposta
Em nota enviada à coluna, o deputado Coronel Alexandre Quintino destacou que “rechaça toda e qualquer tentativa que possa vir a comprometer a relação ética, respeitosa, de reciprocidade e admiração estabelecida com Capitão Assunção, bem como com os demais deputados da Assembleia”. Ele afirma que  as indicações referentes às alterações no Decreto 3328-R, de 17 de junho de 2013, que trata do valor das diárias, distam em suas proposições. A de Assumção foi direcionada especificamente aos servidores da Segurança Pública, enquanto a dele e a todos servidores do Executivo.

Lado A, lado B
A propósito, com um clima interno desse no PSL, o que pensam os demais deputados da bancada, delegado Danilo Bahiense e Torino Marques?

Apareceu
Desde que retornou de licença médica, o deputado estadual Theodorico Ferraço (DEM) não é mais ausência notada do plenário. Ao contrário dos últimos meses, voltou a fazer discursos, somente nesta semana, referentes a debate de matérias, construção de hospital em Guarapari e em referência ao empresário Otacílio Coser, que morreu nessa terça-feira (5).

Retorno II
Ao concordar com pronunciamento do delegado Danilo Bahiense (PSL) que alertou para ausência de profissionais como perito e médico legista nos municípios do Estado, Theodorico fez questão de pontuar, nesta quarta-feira: “não é um discurso de oposição, mas de solução”. Ele defendeu o debate com o governo do Estado, de quem se afastou.

Não vinga
Lideranças nacionais de partidos que se declaram centro-esquerda se reuniram recentemente para debater alianças nas eleições municipais de 2020. Na mesa, o PV, PDT, PSB e Rede, que definiram a realização de um levantamento para avaliar as possibilidades de palanque conjunto. No Espírito Santo, pelo menos um município já está fora: a Serra...

Não vinga II
Por lá, como se sabe, voltam a se enfrentar os grupos que representam duas conhecidas lideranças, o deputado federal Sérgio Vidigal (PDT) e o prefeito Audifax Barcelos (Rede). Vidigal está no páreo à prefeitura, já Audifax terá que fazer seu sucessor. Aliança, jamé!

Causa própria
Contrário ao investimento da prefeitura no Carnaval de Vitória e, por isso, alvo de protesto nessa terça-feira (6) na Câmara por integrantes de escolas de samba, o vereador Davi Esmael (PSB) reiterou seu posicionamento nas redes sociais. “Não estou dizendo absurdos e muita gente também pensa assim”. Ele defende que a iniciativa privada patrocine a tradicional festa, criticada por setores evangélicos e conservadores, que são as áreas de votos de Davi.

PENSAMENTO:
“Uma guerra política é aquela em que todos atiram pelos lábios”. Raymond Moley

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