Bancários fazem protesto por reposição salarial e podem entrar em greve

A categoria retardou em uma hora a abertura de agências em Vitória nesta quarta-feira

Os bancários capixabas realizaram um protesto nesta quarta-feira (1º) nas principais agências de Vitória. A manifestação integra a quinta rodada de negociação com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). A categoria retardou a abertura em uma hora do Banco do Brasil, Bradesco, Itaú, Caixa e Santander, na Enseada do Suá, e do Banco do Brasil, na Capital. A ação de mobilização da Campanha Salarial também foi realizada no Palas Center, no Centro de Vitória, mas não houve paralisação das atividades do Banestes. Os bancários não descartam uma greve, caso não sejam atendidos em suas reivindicações. 

De acordo com informações do Sindicato dos Bancários do Estado (Sindibancários-ES), em todas as últimas rodadas, os bancos não apresentaram nenhuma resposta para as reivindicações da categoria, sob a justificativa que seria apresentada uma proposta global nesta última negociação. 

“A expectativa é que a proposta econômica que os bancos ficaram de apresentar seja de valorização salarial.  Mas a categoria deve estar preparada para a construção de uma greve forte caso a Fenaban não apresente uma proposta global ou queira aplicar a reforma trabalhista e retirar direitos. Não vamos aceitar retrocessos. Dependendo do resultado da rodada de negociação, nós, do Espírito Santo, vamos defender no Comando Nacional a apresentação de um calendário de luta com a perspectiva de uma greve”, destaca o diretor do Sindibancários/ES e representante da Intersindical no Comando Nacional, Carlos Pereira de Araújo, o Carlão.

A entidade informou que, nesta Campanha Nacional, os bancários lutam por melhores condições de trabalho e por valorização salarial. A categoria reivindica, ainda, um piso salarial digno, um plano de cargos e salários que garanta ascensão profissional, o fim das metas, que atormentam e adoecem os bancários, a redução das tarifas bancárias, e a ampliação do horário de atendimento à população. Na rodada de negociação de 12 de julho, os bancos recusaram a assinar o pré-acordo de ultratividade, que garantiria a validade dos direitos dos bancários até o final das negociações da Campanha Nacional 2018.
 
Segundo o Sindibancários-ES, mais de 40 mil postos de trabalho foram extintos pelo setor bancário desde 2016. Além disso, os bancos são responsáveis por apenas 1% dos empregos criados no Brasil entre 2012 e 2017, mas por 5% dos afastamentos por doenças relacionadas ao trabalho, de acordo com levantamento realizado pela Fecomércio.

Brasileiros explorados

Outro dado da entidade: as famílias brasileiras comprometem a maior parte dos seus gastos com o pagamento de juros aos bancos. Foram R$ 354,8 bilhões transferidos da renda dos trabalhadores para as instituições financeiras em 2017, o que representa 17,9% de aumento real, ou seja, já descontada a inflação. De acordo com a pesquisa, o montante superou os R$ 291,3 bilhões gastos com alimentação fora de casa, os R$ 154,3 bilhões dos gastos com transporte urbano e os R$ 129,9 bilhões pagos em aluguel.

Enquanto isso, não são poucos os números e indicadores que comprovam a plena capacidade dos bancos de atender às reivindicações da categoria. Em 2017, as cinco maiores instituições financeiras que compõem a mesa de negociação pela Fenaban lucraram juntas R$ 77,4 bilhões. Um valor que impressiona, ainda mais quando revelado que o montante foi 33,5% maior que no ano anterior.

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