Beco sem saída

Audifax: de principal concorrente de Casagrande, a cabo eleitoral de Bruno Lamas?

A difícil situação política do prefeito da Serra, Audifax Barcelos (Rede), que esbarra em obstáculos já considerados intransponíveis pelo mercado para seus projetos de futuro, chegou ao ponto de acabar restando a ele, no processo de sucessão no município em 2020, se agarrar ao palanque do secretário de Estado de Trabalho, Assistência e Desenvolvimento Social, Bruno Lamas (PSB). Isso porque, mesmo com a máquina na mão e investimentos pesados em publicidade, Audifax vê cada vez mais distante a possibilidade de consolidar um nome seu para a disputa, cujas articulações ocorrem a todo vapor nos bastidores. A saída do coronel Nylton Rodrigues do comando da pasta de Defesa Social da Serra, que chegou a ser cotado como candidato, só piorou o cenário para o prefeito. A outra opção do seu grupo, o deputado estadual em primeiro mandato, Alexandre Xambinho (Rede), também estaria engolido pelas articulações palacianas, que investem pesado em Lamas. O caminho mais curto para Audifax seria, então, recuar nas movimentações que fez contra o governador Renato Casagrande e atuar como cabo eleitoral do filho de sua vice, Márcia Lamas (PSB). A solução, porém, está longe da ideal. Apesar da relação entre Audifax e Márcia, o secretário não é considerado um político do prefeito, e, mesmo que ganhe, para onde irá Audifax nos dois anos que terá pela frente, sem mandato e um sucessor de fato, para arriscar qualquer projeto em 2022? Em política, nada é definitivo, mas já tem gente lançando um “bye, bye, Audifax”.

Vai, não vai
A articulação com Lamas incluiria também a filiação ao PSB, já que a Rede há muito tempo também virou um "problemão" para o prefeito. Com a decisão da ex-ministra Marina Silva de não fundir a legenda com o PPS, quem permanecer não contará com tempo de TV nem fundo partidário, já que a Rede não atingiu a cláusula de barreira nas eleições de 2018. Mas o tal do convite ao prefeito rendeu divergências...

Vai, não vai II
Bruno Lamas declarou ao jornal A Tribuna que abriu as portas do PSB para Audifax. No outro dia, o presidente estadual do partido, Carlos Rafael, entrou no circuito e disse que não tem nada disso em discussão por meio da Executiva estadual. A conferir, cenas do próximo capítulo!

Vice
O deputado estadual Dary Pagung (PRP) sonha em ser conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), mas nunca recebe apoio dos governadores. O jeito, então, é se contentar com pouco. Nesta quarta-feira (22), até vídeo ele gravou para comemorar sua indicação como vice-líder de Casagrande na Assembleia. 

Contra
O senador Marcos do Val (PPS) publicou em suas redes sociais vídeo de uma fala sua feita no protesto realizado por policiais de todo o País nessa terça-feira (21), ao lado do Congresso Nacional, com a seguinte chamada: “na tarde de ontem, parei os trabalhos no Senado para apoiar a manifestação dos policiais, em prol da reforma da previdência”. Nas hashtags, “tamo junto”, força e honra”, aquela coisa toda. Acontece que o ato era contra a proposta. Depois de vários comentários, ele mudou o texto.

Figuração
À frente do protesto, estavam entidades que têm criticado a reforma, como a União dos Policiais do Brasil (UPB), que também está mobilizada no Espírito Santo. Representantes do Sindicato dos Policiais Civis (Sindipol-ES), inclusive, estiveram em Brasília para a manifestação e reiteraram os prejuízos às diversas categorias de policiais. Já Do Val sempre se posicionou a favor da reforma da Previdência. Foi lá só fazer figuração?

Omissão
A propósito, tanto Marcos do Val como o senador Fabiano Contarato (Rede) postaram em suas redes sociais textos em referência ao 18 de maio, Dia Nacional de combate à Exploração Infantil. Resumiram o crime bárbaro registrado em Vitória em 1973, que tornou a menina Araceli símbolo dessa luta, mas omitiram os nomes do acusados, de famílias poderosas e influentes do Estado. “Raptada, estuprada e morta”, disse Contarato; Do Val acrescentou essa frase, seguida de “por dois jovens”. 

Vamos lá...
Vou recapitular para os senadores: suspeitos do crime e condenados em primeira instância: Dante de Barros Michelini, o Dantinho; Dante de Brito Michelini, pai de Dantinho; e Paulo Constanteen Helal. Cinco anos depois, o Tribunal de Justiça os absolveu, alegando “falta de provas”. E a impunidade segue até hoje.

Controvérsias
O início dos testes para o Programa Anuidade Zero, um tipo de fidelização lançada pelo presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Estado (OAB-ES), José Carlos Rizk, provoca questionamentos na área. Um deles, uma listinha publicada nas redes sociais por Elisângela Melo, que também disputou a última eleição à seccional capixaba. Pula para a próxima nota...

Controvérsias II
...ela pergunta: “Se você for um advogado que tenha condições de consumir bastante, você poderá ter sua anuidade reduzida a zero? Se você for um advogado em início de carreira ou que esteja enfrentando dificuldades para se estabelecer, não conseguirá consumir muito e terá que pagar a anuidade sem esse desconto?  Você, advogado, trocaria seu direito de redução da anuidade, já reconhecido em primeira e segunda instância, por anuidade zero duvidosa?”.

Controvérsias III
O direito a que ela se refere tem relação com uma ação judicial do Sindicato dos Advogados no Estado (Sindiadvogados) que, apesar de decisões favoráveis à categoria, assegurando limite no reajuste, recentemente teve um andamento em sentido contrário: a entidade abriu mão do processo.

PENSAMENTO:
“O público é uma besta feroz. Deve-se enjaulá-lo ou fugir dele”. Voltaire

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