Bolsonaro pode deixar o PSL e se filiar à antiga UDN recriada por capixaba

Marcus Alves resgatou a velha UDN, com a mesma linha conservadora que sustentou o golpe militar de 64

O presidente Jair Bolsonaro, que está de saída do PSL, deve se filiar à velha União Democrática Nacional (UDN), resgatada em 2016 pelo capixaba Marcus Alves, ex-subsecretário da Casa Civil na gestão Paulo Hartung (sem partido). 

O partido, apoiador do golpe militar de 1964 e base para a criação da Aliança Renovadora Nacional (Arena), está prestes a obter registro na Justiça Eleitoral. Nesta quarta-feira (9), o jornal Estado de São Paulo reforça informação publicada em Século Diário em fevereiro deste ano. 

Interlocutores do presidente da República conversam com Marcus Alves, buscando uma solução para o impasse entre a família Bolsonaro e o presidente do partido, Luciano Bivar, que disputam o controle do partido. Bolsonaro quer o controle total, visando impulsionar sua campanha à reeleição, em 2022.

Para o presidente estadual do PSL, ex-deputado federal Carlos Manato, ainda não existe nada de concreto sobre a desfiliação de Bolsonaro, mas afirmou que se mantém como aliado: “Independente de qualquer partido, somos Bolsonaro, somos de direita”, ressaltou. 

Manato afirmou que var aguardar o desenrolar dos acontecimentos, mas pontuou que a UDN ainda não é um partido, porque lhe falta o registro e “não tem condições de se formar para as próximas eleições. Eu tenho compromissos com várias pessoas, fico onde estou”.   

A nova UDN já realizou o primeiro encontro, em Campinas, São Paulo, no mês de janeiro passado. Segue a mesma linha política ultraconservadora do PSL de Jair Bolsonaro e dos ideais militaristas de direita de sua fundação, em 1945, para fazer oposição ao regime do presidente Getúlio Vargas.  

Marcus Alves foi presidente do PRP no Espírito Santo e ocupou a subsecretaria da Casa Civil do Governo do Estado na gestão Paulo Hartung. Foi demitido em 2017, acusado de prática de “rachid” (apropriação de parte do salário de servidor público) e de ameaçar de morte um funcionário da Assembleia Legislativa. 

A denúncia foi feita pelo ex-servidor da Assembleia Francisco Felix da Costa Netto e, na época, Marcus Alves afirmou que era vítima de uma "orquestração para derrubá-lo". De fato, em março de 2018, sindicância na Casa não encontrou provas que o incriminassem. Da mesma forma, inquérito realizado na Polícia Civil foi encerrado sem “quaisquer indícios de autoria ou de materialidade delitiva”. As duas investigações foram encerradas e Marcus declarado inocente das denúncias. 

A nova UDN mantém a marca da sigla que participou ativamente do golpe de 1964, com forte apoio de militares, alinhamento com a política norte-americana, patriotismo exacerbado e conservadorismos de costumes. Atingida pelo AI-2, que extinguiu todos os partidos políticos, seus integrantes migraram em peso para formarem a Aliança Renovadora Nacional (Arena), que deu sustentação ao regime militar.  

Essa medida foi adotada para legitimar ações políticas contrárias à Constituição. Para isso, o governo ditatorial acabou com os 13 partidos políticos existentes e determinou a implantação do bipartidarismo. Foram criados a Arena, da situação, e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), da oposição.

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