Caixa e Banco do Brasil cortam 21,2 mil empregados no País em dois anos 

Sindibancários-ES aponta que esse número chegou a 479 no Estado, entre 2016 e 2018

Caixa Econômica e Banco do Brasil demitiram 21,2 mil empregados nos últimos dois anos no País. As demissões fazem parte da política de gestão adotada pelas direções dos bancos públicos brasileiros de reduzir custos e tornar a estrutura mais parecida com a dos bancos privados. No Estado, de acordo com o Sindicato dos Bancários do Espírito Santo (Sindibancários-ES), no período de 2016 a 2018, foram 479 desligamentos, sendo 350 na Caixa e 129 no Banco do Brasil.  

Os cortes têm afetado diretamente a qualidade dos serviços prestados à população, o que tem gerado reclamações generalizadas dos clientes, além de aumentar a sobrecarga de trabalho nas agências.

“Como tornar mais eficiente com menos empregados?”, questiona Rita Lima, diretora do Sindibancários/ES. Para ela, “o corte de pessoal faz parte da política de desmonte dos bancos públicos. “A Caixa não realiza apenas operações financeiras típicas dos bancos privados, ela é a empresa pública brasileira responsável por todas as políticas sociais do governo de habitação, de crédito popular, de financiamento público etc, e, por isso, não pode ter o mesmo parâmetro de eficiência dos bancos privados, que visam apenas o lucro”, ressalta.

No Banco do Brasil, ações como o incentivo à aposentadoria e mudança na estrutura de atendimento resultaram na saída de mais de 16 mil pessoas, sendo quase 12 mil apenas nos últimos dois anos, quando o quadro diminuiu em 10,9%. O BB diz que a redução do quadro de funcionários busca “a sustentabilidade da empresa em um mercado em profunda transformação”.

Para a diretora do Sindibancários/ES, Garoti Barone, a mudança na missão do Banco do Brasil que agora se caracteriza como sendo “um banco de mercado, competitivo e rentável, atuando com espírito público”, já revela que o BB está, cada dia mais, sendo adequado para o mercado. 

“Esse processo de adequar o BB ao mercado está acontecendo gradativamente e a redução do quadro de pessoal é mais uma ação no sentido de aproximá-lo da postura dos bancos privados. As demissões e reestruturações geram instabilidade para os trabalhadores, aumento do assédio moral sofrido nas agências e precariedade no atendimento. Tudo isso vem consolidando a proposta de privatização do banco”, avalia.

As demissões atingiram até os estagiários. No BB, o número despencou em 60% em dois anos, com o desligamento de 2,8 mil estagiários. Na Caixa, o corte foi de 30%.

O ranking do Banco Central revela que, nos últimos dois anos, cresceram as reclamações relativas à qualidade dos serviços prestados por BB e Caixa. Em junho de 2016, a Caixa era o terceiro grande banco com mais reclamações e o BB ocupava a sexta posição. Desde então, a Caixa chegou a liderar o ranking em alguns períodos e atualmente é o segundo pior avaliado. Já o BB passou de sexto a terceiro mais reclamado.
 
Desligamentos na Caixa Econômica-ES:
2016: 72
2017: 232
2018: 46
Total: 350
  
Desligamentos no Banco do Brasil-ES:

2016: 115
2017: 10
2018: 04
Total: 129.

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