Caixa Econômica será fatiada e terá militares em setores estratégicos 

O presidente Pedro Guimarães abrirá o capital de setores mais lucrativos, como cartões, seguros e loterias

O novo presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, anunciou, nesta segunda-feira (7), que a instituição deverá vender participações em áreas como seguros e loterias, reforçar o financiamento imobiliário via mercado de capitais e investir em microcrédito a juros mais baixos. Guimarães tomou posse nesta manhã no Palácio do Planalto, em cerimônia da qual participaram o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes.

Ele disse que seguirá a determinação do governo de “não errar” e que buscará reduzir um passivo de R$ 40 bilhões da Caixa registrado sob a rubrica de “instrumentos híbridos de capital e dívida”. Segundo Guimarães, isso se dará com a "venda de participações em empresas controladas, seguros, cartões, asset (gestão de ativos) e loterias, que já começam agora, pelo menos duas neste ano”.

Guimarães destacou que o banco público buscará reforçar sua atuação no mercado de crédito imobiliário por meio de operações de securitização – venda de títulos no mercado financeiro – da ordem de R$ 50 bilhões a R$ 100 bilhões.

“É fundamental discutir a parte imobiliária. Hoje temos problemas de funding. Via mercado de capitais, vamos vender de R$ 50 bilhões a R$ 100 bilhões para exatamente poder a Caixa continuar ofertando esse crédito”, disse. O novo presidente da Caixa acrescentou que pretende expandir a oferta de microcrédito a taxas mais baixas do que as hoje praticadas pelo mercado. “Não me conformo em ver pessoas tomando dinheiro a 15%, 20% ao mês”, afirmou.  “O Brasil pode ser uma referência em microcrédito.”

Guimarães disse que deverá fazer uma revisão nas políticas de patrocínio e comunicação da Caixa, conforme orientação do governo, e que viajará pessoalmente aos estados para ouvir clientes e visitar comunidades carentes onde o banco atua.

Ele informou que um dos primeiros estados a ser visitado será o Amazonas, onde estuda ampliar o acesso à Caixa ampliando o número de barcos do banco que atuam em comunidades isoladas.

Privatização
Escolhido por Bolsonaro para comandar a Caixa, Pedro Guimarães já havia anunciado que áreas mais rentáveis do banco seriam entregues para a iniciativa privada.  Além disso, Guimarães anunciou que militares vão ocupar postos diretivos do banco. Para representantes do Sindicato dos Bancários, o anúncio do novo presidente torna real a ameaça de privatização da Caixa, ventilada durante a eleição e negada até então pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro. 

“A medida tem como objetivo único atender os interesses dos bancos privados. A ameaça de entrega do maior banco público do país para o setor privado é real, e isso coloca em risco o emprego de milhares de bancários e bancárias e a execução de políticas públicas essenciais para a população. Por isso, o momento exige nossa mobilização para defender a Caixa 100% pública e barrar esse projeto de subserviência ao setor privado”, enfatiza a diretora do Sindibancários/ES, Rita Lima.

Para o presidente da Fenae, Jair Pedro Ferreira, as declarações de Pedro Guimarães não causam surpresa. “Membros do atual governo nunca esconderam esses planos. O próprio ministro Paulo Guedes, que tem carta branca do presidente Jair Bolsonaro, afirmou que o objetivo é privatizar tudo o que for possível. Ou seja, não há outro caminho que não seja a nossa resistência contra o fatiamento e a diminuição da Caixa”, alerta.

Atento aos sinais do governo Bolsonaro, o setor privado aumenta a cobiça. Em novembro, o presidente do Santander, Sérgio Real, defendeu a quebra de monopólios nos serviços financeiros, entre eles, depósitos judiciais, folhas de pagamento e FGTS. No mês seguinte, o presidente do Conselho de Administração do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, confirmou que o banco está de olho em oportunidades de aquisições vindas da Caixa e do Banco do Brasil.

“Tudo isso só mostra que a tendência é que os banqueiros e os grandes empresários tenham mais voz na atual gestão e participem ativamente das decisões. Com isso, a população é que vai sair no prejuízo, sobretudo a mais carente, pois o social vai ficar em segundo plano, tudo em nome do lucro, do rentismo. Temos que barrar esses e outros retrocessos que certamente virão, e não apenas em relação à Caixa”, diz Jair Ferreira.

Militares na gestão
Pedro Guimarães também anunciou que o banco público terá a presença de militares em postos diretivos. “Existe uma questão de governança importante e a gente quer fazer toda análise do passado de quaisquer problemas que por ventura existam, e ter os militares com a gente faz todo sentido”, declarou, sem explicar o que seria exatamente “análise do passado”.

Colocar militares na gestão, sem nenhum conhecimento sobre a Caixa e seu papel social, é mais uma medida de desmonte do banco, como alerta Rita Lima. “Esse anúncio é no mínimo estranho, uma vez que nos últimos dois meses tivemos seleção para vice-presidências do banco. O governo Bolsonaro quer colocar pessoas que desconhecem o próprio negócio da Caixa com intuito claro de fazer apenas vigilância ideológica. Orientamos a todos os bancários e bancárias que denunciem qualquer sinal de perseguição e ameaça. Não vamos aceitar esse abuso”.

Para Rita Serrano, representante dos trabalhadores da Caixa no CA e da Diretoria da Fenae, a fala de Guimarães é vaga e, no caso da nomeação dos militares, desconsideram-se regras legais e estatutárias que precisam ser cumpridas. “Fica claro o tamanho desafio que teremos nesse enfrentamento. Os empregados precisam estar unidos e informar a sociedade sobre os riscos desse fatiamento da empresa”, aponta.

(Com informações de Agência Brasil e Sindicato dos Bancários-ES)

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