Câmara de Itapemirim afasta prefeito Thiago Peçanha do cargo pela segunda vez

O prefeito rejeitou a decisão do legislativo municipal e apontou ilegalidade no afastamento

Três meses depois de ter sua permanência no cargo garantida pela Justiça, o prefeito de Itapemirim (sul do Estado), Thiago Peçanha Lopes (PSDB), foi novamente afastado, pelo prazo de 90 dias, por decisão da Câmara de Vereadores adotada na sessão dessa terça-feira (20). Notificado nesta quarta-feira (21), ele disse que não há legalidade no ato: "Vou lutar e com fé em Deus vencerei”.

O presidente da Câmara, Mariel Delfino (PCdoB), substituto do prefeito no período em que durar o afastamento, aguardava nesta manhã para tomar posse, sendo chamada a Polícia Militar para garantir a segurança, considerando que toda a movimentação acirrou os ânimos nos meios políticos do município. Vários servidores foram impedidos de entrar na prefeitura.  

O prefeito​​​ ficará afastado durante as investigações para apurar denúncia de "infração político-administrativa com pedido de cassação e o imprescindível afastamento imediato, visando à proteção dos bens, rendas e interesses do município", feita por um eleitor de Itapemirim.

Entre os diversos pontos do documento, supostas irregularidades e suspeitas de desvios públicos nas obras do terminal pesqueiro de Itaipava, questionamentos a contratos públicos e cargos ocupados por duas irmãs do prefeito, além de citação da Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) que pediu a inelegibilidade de Peçanha e do ex-deputado federal Lelo Coimbra (MDB) por abuso e uso da máquina nas últimas eleições. 

Esta é a segunda vez que o prefeito é afastado. Em maio deste ano, também por decisão da Câmara, ele foi alvo de uma decisão idêntica, posteriormente anulada na Justiça. Thiago Peçanha foi eleito vice-prefeito em 2016 e assumiu o a chefia do Executivo em abril de 2017, depois do afastamento do prefeito Luciano de Paiva.

Durante a sessão dessa terça, os vereadores votaram pelo afastamento e o decreto foi publicado na edição do Diário Oficial do município. Thiago Peçanha, se manifestou pelas redes sociais. “Já vivi muitas coisas nestes quase três anos! Tive minha família exposta, atacada injustamente, sofri todos os tipos de crueldade por parte daqueles que acham que são donos do nosso Itapemirim! Não é fácil parar para pensar em tudo que vivi e tenho por enfrentar, mas uma coisa é certa, vou lutar e com fé em Deus vencerei!”.

Em nota, o prefeito afirmou que o "ato não tem valor legal no ordenamento jurídico brasileiro e representa uma ruptura institucional com o Estado Democrático de Direito”. 

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