Campanha denuncia universidade 'em liquidação'

Sintufes, Adufes, DCE e outros grupos criaram a S.O.S. Ufes para alertar sobre impactos do Future-se

A campanha começou nesta terça-feira (13) em Goiabeiras, Vitória, horas antes do ato em defesa da educação pública. Cartazes amarelos com letras anunciavam uma liquidação. Mas não se trata de loja de eletrodomésticos e sim de uma campanha de entidades atuantes na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) contra o projeto Future-se, anunciado pelo governo federal, que representará a precarização da universidade.

A Associação dos Docentes da Ufes (Adufes), o Sindicato dos Trabalhadores da Ufes (Sintufes) e o Diretório Central dos Estudantes (DCE), representantes de professores, servidores e estudantes, uniram forças e convidam outros grupos, coletivos e pessoas para defender a Universidade e sua autonomia e recursos.

Na campanha "S.O.S. Ufes - A Universidade Está em Liquidação", as propagandas anunciam Mega Ofertas em temas como Análise de Políticas Públicas, Assistência Jurídica, Criação de Vacinas, Controle da Qualidade do Ar, Estudos sobre Gênero e Sexualidade, Análise do Impacto das Barragens e Tratamento de Tuberculose, todas representando serviços ou atividades realizadas pela Ufes que estão ameaçadas pela precarização e ameaça de políticas privatistas para a universidade.

A proposta é uma campanha que seja cotidiana, atuando nas redes sociais, dentro da universidade e nas ruas para apontar os impactos das medidas do governo Jair Bolsonaro para a educação pública. "Temos a compreensão de que só com performance não se vai conseguir avançar. É preciso ter estratégias de propaganda e de formação política cotidianas, para conseguir estar presente no dia a dia e lembrar as pessoas sobre a situação da universidade", destacou Lucas Martins, diretor de Comunicação do Sintufes.

Os cartazes que marcam o início da campanha saem sem assinaturas específicas das entidades, já que a proposta é somar apoio dentro do conjunto da comunidade acadêmica e com todos os demais que sejam a favor da defesa dos pontos levantados, buscando uma ação conjunta que some a força de atuação, mas respeitando a autonomia de cada organização.

Lucas explica que ao dizer que a universidade está em liquidação, a campanha busca evidenciar o caráter privatista e voltado para o mercado financeiro do programa Future-se, que representa a culminância do processo de desmonte da educação pública superior nos últimos anos, colocando a Ufes e outras universidade em condições de penúria, com dificuldades de fechar as contas.  "O governo sabe que para que esse projeto faça sentido para as pessoas é preciso que a universidade seja sucateada, esteja precarizada, para as pessoas pensarem que a privatização e concessão para iniciativa privada sejam aceitáveis", contextualiza o diretor do Sintufes.

Ele ressalta a relevância e impacto de projetos de pesquisa e extensão desenvolvidos a partir da Ufes para o Estado e pergunta o que será de certos projeto como estudos de controle de qualidade do ar ou de análise de impactos de barragens se estiverem financiados pelas grandes empresas que têm interesse direto sobre esses temas. "Sem a participação da universidade com conhecimento crítico e científico, sem atuação de forma autônoma, sobra o quê?", questiona.

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