Campo minado

Polarização PT-PSL na Câmara já coloca em lados opostos Helder Salomão e Soraya Manato

O cenário que divide o País devido à disputa presidencial se repetiu na nova composição da Câmara dos Deputados, com o PT e o PSL elegendo as maiores bancadas para a próxima legislatura. O partido de Fernando Haddad terá 56 deputados, o que representa redução de 13 cadeiras em relação a 2014, enquanto o de Jair Bolsonaro cresceu incríveis 52 vagas (tinha só uma na última eleição), o que reforça a onda que atingiu também as Assembleias Legislativas, incluindo do Espírito Santo. No campo nacional, essa polarização na Câmara já separa os integrantes das bancadas eleitos por aqui: o experiente Helder Salomão (PT), reeleito, e a novata Soraya Manato (PSL), mulher do deputado federal Carlos Manato (PSL), que representou o palanque local de Bolsonaro ao Palácio Anchieta. Helder faz parte do projeto prioritário do PT de defender, no Congresso Nacional, o legado das gestões do partido e do ex-presidente Lula, preso em Curitiba. Já Soraya é médica e se candidatou para defender outro legado: o do próprio marido, que deixou uma reeleição garantida para o quinto mandato consecutivo, e as bandeiras defendidas por Bolsonaro. Como irá ficar o restante da bancada capixaba nesse campo minado, que deve permanecer ainda depois do resultado do segundo turno, ainda não se sabe. Mas esses dois já entram na Câmara em campos definidos e extremos. 

Mais uma
A composição da bancada do Estado, é bom lembrar, terá 50% de renovação em 2019. O PT ficou sozinho no pleito. Já o PSL poderá contar com Lauriete (PR), mulher do senador Magno Malta (PR), derrotado no pleito, mas certamente integrante do governo Bolsonaro, caso ele confirme a vitória nas urnas.

Sem a marca
Do palanque local de Manato-Magno-Bolsonaro, tem também o campeão de votos que puxou as demais candidatas, Amaro Neto (PRB). Mas ele, ao contrário de Manato e do senador, não escreveu Bolsonaro na testa durante a campanha eleitoral. Como se posicionará, portanto, é uma incógnita.

Maioria
A onda militar e do PSL também chegou às Assembleias e fez maioria de bancadas em quatro estados, entre eles, o Espírito Santo, com quatro deputados, três deles da área policial: Capitão Assumção, Alexandre Quintino e o delegado Danilo Bahiense. Com um detalhe que não passa em branco: Assumção e Quintino são da Associação de Cabos e Soldados e defenderam o movimento da PM de fevereiro de 2017.

Era uma vez
Por outro lado, foi-se o tempo dos antigos representantes dos altos comandos das esferas militares no Estado. Os ex-secretários de Estado de Segurança, André Garcia (MDB) e Rodney Miranda (PRB), aliados de Paulo Hartung, ficaram a ver navios nas disputas à Assembleia e Câmara dos Deputados, respectivamente. Com a imagem de “Rambo Capixaba”, Rodney promoveu milagres em eleições passadas. Já Garcia, estreante, sofreu os efeitos da greve da PM, ainda latentes na tropa.

Suado
O bloco palaciano para salvar a reeleição do presidente da Assembleia, Erick Musso (PRB), terminou a missão com êxito. Ele conseguiu permanecer na Casa, com 21,1 mil votos.  A estratégia foi tentar tirar do páreo o ex-prefeito de Aracruz, que é seu reduto eleitoral, Ademar Devens (PSD). Houve processo judicial, Ademar reverteu de última hora e, mesmo assim, conseguiu 11,4 mil votos. Insuficientes, porém, para entrar na Casa.
 
Resta um
A mesma estratégia pretendia garantir as reeleições de Enivaldo dos Anjos e Esmael Almeida, do mesmo partido de Devens. Mas só um entrou: Enivaldo, com 24,2  mil votos. Esmael, aliás, que já estava em campanha há muito tempo entre os evangélicos, não ficou muito na frente de Devens. Obteve 14,1 mil votos, ou seja, somente três mil a mais.

Grife
O deputado federal Sérgio Vidigal (PDT) investiu pesado, mas não conseguiu eleger a mulher, Sueli Vidigal (PDT), à Assembleia. Só não dá pra dizer que a grife Vidigal está mal das pernas porque, na Serra, reduto do casal ela liderou a disputa. 

Expectativa
Com um palanque lotado de partidos, o governador eleito, Renato Casagrande (PSB), terá 17 deputados da base aliada na Assembleia, campo de interesse também do atual ocupante da cadeira e adversário, Paulo Hartung, que pretende evitar os prováveis tiroteios à sua gestão. Sobraram 13...uns defensores tradicionais, outros novatos. O que vem por aí?

Aberta a temporada
Agora, tira desse bolo os derrotados nas urnas. Certamente, já estão pleiteando um cargo na próxima gestão. Se vira nos 30, Casão!

PENSAMENTO:
“Há uns que morrem antes; outros depois. O que há de mais raro, em tal assunto, é o defunto certo na hora exata”. Mario Quintana

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