Capitão Assumção articula apoio para instaurar 'CPI da Corregedoria da PM'

Deputado citou mais três mortes na corporação e defendeu investigação aos "abusos" e ''perseguições''

O deputado estadual Capitão Assumção (PSL) iniciou articulação para instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigue a atuação da Corregedoria da Polícia Militar do Espírito Santo. Ele afirma que tem recebido uma série de denúncias de perseguição, atos que persistem desde fevereiro de 2017, quando houve o movimento paredista da tropa, seguida de punições para os militares. Para Assumção, o fato tem levado muitos PM’s ao estresse extremo, depressão, morte prematura e até ao suicídio. 

Assumção citou, na sessão da Assembleia Legislativa desta segunda-feira (11), a morte de três policiais militares nesse final de semana. Um deles por pressão alta durante o serviço, outro por morte súbita e o terceiro por suicídio. Para ele, todos decorrentes da situação estabelecida desde o movimento de 2017 e por "maldades e atrocidades ainda praticadas pelo Comando da PM". Assumção considera que o "Comando da PM está implacável, fazendo, por meio da junta de saúde, retornar policiais que ainda estão em tratamento psiquiátrico. É preciso conter os abusos”, reiterou. 

O deputado afirmou que o texto para protocolar o pedido de abertura da CPI já está pronto, mas que necessita do apoio de 10 deputados para que a investigação ocorra.

Nas redes sociais, circulou nesta segunda um texto sobre mais um caso de suicídio de PM. “Perdemos mais um colega para o suicídio. Agora isso é comum. Policiais desvalorizados e perseguidos tiram suas próprias vidas. Todo boletim interno da PMES tem um desligamento pedido por um ou outro colega que desistiu da corporação, mas infelizmente existem os amigos que tomam atitudes mais drásticas, pois sem condições emocionais e financeiras escolhem por deixar de viver. É muito triste. A Polícia Militar está doente”, disse trecho do texto. 

Segundo o comunicado, por volta da meia-noite desse domingo (10), um soldado PM cometeu suicídio com arma de fogo da própria Corporação. “O militar estava retornando de um evento familiar na companhia de seus pais, quando inesperadamente sacou sua arma e efetuou um disparo de pistola na cabeça... O referido Militar pertencia ao BME e estava afastado pela junta médica. Porém, pediu para ser transferido para ficar próximo à família. Atualmente estava liberado pela junta médica para trabalhar normalmente...”.

As informações apontam que o PM foi um dos impedidos de conquistar a promoção por se encontrar doente. Em setembro, o Boletim Especial do Comando Geral, de número 20, confirmou a exclusão de 60 militares, todos soldados que seriam promovidos a cabo, que estavam de licença médica no final do ano de 2018. 

A decisão gerou uma representação no Ministério Público do Espírito Santo (MPES), em que os excluídos denunciam irregularidades no processo e pedem intervenção do órgão ministerial. O documento cita os oficiais que compõem a Comissão de Promoção de Praças (CPP), composta pelo tenente coronel Pablo Couto Ferreira (presidente) e pelos membros capitães Izaias Pereira Junior e Dilson Ravani Junior, os primeiros tenente Saulo de Carvalho Relo, Cyndi Hautequest Gonçalves do Nascimento e pelo segundo tenente Heraclito Alves Meirelles (secretário). Também foi representado o comandante-geral da PMES, Moacir Leonardo Vieira Barreto Mendonça, que, com a publicação do ato administrativo, "agiu em desacordo com o disposto na legislação estadual e portarias da própria instituição".

Suicídios crescentes 

Dados do 13º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgados em setembro deste ano, indicavam que 104 agentes tiraram a própria vida no País em 2018, taxa que é 42,5% maior que a do ano anterior, uma média de dois policiais mortos a cada semana, e que é superior aos que morreram em confrontos no mesmo ano: 87 no total.  

O Espírito Santo não é exceção e tem um agravante: os casos de suicídio de policiais militares, especificamente, cresceram após fevereiro de 2017, quando houve o movimento paredista de 21 dias da categoria. As estimativas são de 70 tentativas nos últimos dois anos, de acordo com informações repassadas à época pela Associação de Cabos e Soldados do Espírito Santo (ACS).

Após a greve, o próprio governo do Estado, na figura do ex-governador Paulo Hartung, iniciou uma série de punições e desligamentos que instauraram um clima de terror na tropa. No próprio ano de 2017, há informações extraoficiais que indicam, pelo menos, cinco suicídios, que, por sua vez, não constam no Anuário por não terem sido notificados pelo Estado. 
 

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1 Comentários
  • Carlos Alberto Soares , terça, 12 de novembro de 2019

    Sou PM também,e não é de hoje,e sim a décadas que a pm brasileira está doente , baixos salários, perseguições absurdas, sociedade e leis sempre desfavoráveis ao agente,um tal de"R.e.d quero"vcs nem imaginam as demissões absurdas que existem na corporação, mais resumindo,tem que desmilitarizar,a polícia civil com todos seus problemas interno sobrevive,teriam que abrir o baú das maldades em todos os estados, aí iria rolar cabeças de Reis s vontade neste tabuleiro ,onde nós praças somos"peões.

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