Casagrande recebe associações, mas não atende pleitos da Polícia Militar

Lei de Promoções enviada à Assembleia será a mesma da gestão passada, ''aberta a mudanças''

O governador Renato Casagrande recebeu, na tarde desta terça-feira (9), os representantes de todas as associações que representam os policiais militares e o Corpo de Bombeiros no Estado. Reivindicado pelos PMs, o encontro, no entanto, não avançou de forma prática e objetiva em relação aos dois principais pleitos da categoria: revisão salarial e reestruturação da carreira ainda neste ano. O motivo apresentado por Casagrande é o impacto financeiro gerado pelos pedidos, o que dificilmente tornará possível de serem atendidos em 2019. O governador se diz "engessado" pelo pacto firmado com o Governo Federal de não aumentar as despesas com pessoal. 

A tropa, no entanto, tem manifestado sua insatisfação sobretudo em relação à lei de promoções, que está prevista para ser enviada para aprovação da Assembleia Legislativa ainda neste mês. O texto, elaborado pela equipe do ex-governador Paulo Hartung, não agrada aos militares, que consideram a proposta um “pacote de maldade” do ex-secretário de Segurança, coronel Nylton Rodrigues.

Participaram do encontro a Associação de Cabos e Soldados, Associação dos Oficiais, Associação dos Subtenentes e Associação dos Bombeiros Militares. Já pela parte do Governo, além de Casagrande, os secretários de Governo, Planejamento, Segurança Pública e Defesa Social e Casa Militar.

O porta-voz do encontro foi o secretário de Estado da Segurança Pública, o carioca Roberto Sá. Segundo ele, “o encontro materializou o diálogo com toda a classe, do Comando Geral para as entidades de classe e para a própria tropa, assim como do governador e seu secretariado para as entidades e para a tropa”. No entanto, ressaltou que ambos os lados ainda estão em busca de construções que atendam ao desejo da classe, levando em conta o equilíbrio fiscal e a governabilidade. “Nem tudo é possível, estamos tentando construir uma legislação de promoção em que a própria corporação defina seus critérios para promoção, valorizando o que basicamente todas as polícias brasileiras valorizam, não só a antiguidade, mas também o mérito". 

Sá, no entanto, confirmou que o atual projeto de lei, construído na gestão de Paulo Hartung e discutido recentemente com as associações, será enviado à Assembleia em função de prazo para realizar as promoções em maio. 

“Temos prazo para apresentar uma primeira proposta que seja mais justa possível, isso não significa que não haverá novas conversas para aperfeiçoar os critérios”. Roberto Sá adiantou também que Casagrande pretende retornar, em 2020, com as vagas do QOA - Quadro de Oficial Auxiliar e repensar a instituição da promoção de soldado de cabo sem concurso. 

Sobre a promoção por tempo de serviço, Roberto Sá admitiu ser uma mudança brusca e que é necessário, portanto, realizar um estudo com cautela.

Diante de tais afirmações, o presidente da Associação de Cabos e Soldados, cabo Jackson Eugênio Silote, expressou que a reunião, apesar de ter sido importante para aproximar o governo da corporação, não avançou na pauta dos militares. Os principais pleitos - reajuste e uma possível incorporação na promoção por antiguidade - deverão ficar para 2020. 

Crise

Recentemente, uma série de memes circularam em grupos de WhatsApp dos militares acusando Casagrande de "manter a política desastrosa de desvalorização da tropa" de seu antecessor Paulo Hartung (sem partido). 

Houve até ameaça de novas paralisações, a exemplo do que ocorreu em fevereiro de 2017, o que culminou com homicídios em série (mais de 200 em 20 dias), além da escalada de crimes contra o patrimônio.

O alerta foi confirmado pelo deputado estadual Capitão Assumção (PSL), que explicou que o motivo do rápido fim da “lua de mel” com o governo Casagrande foi o projeto de lei que trata as regras para promoções de policiais militares e bombeiros. 

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1 Comentários
  • jacyr , sábado, 13 de abril de 2019

    O Governador Casagrande em seu primeiro mandato, pensando na reeleição, permitiu uma lei de promoções na Polícia que promoveu indiscriminadamente PMs, que inclusive nem o ensino médio tinham concluído. Ora um militar com vinte anos que é promovido a sargento, irá para a reserva como primeiro sargento ou subtenente. E a previdência? como fica? Ele contribui com onze por cento do valor de cada promoção, mas irá para a reserva com o vencimento integral do último posto, Além do que, a graduação deveria ter um motivo, necessidade, afinal se todos num banco,forem promovidos a gerente,como ficaria. Hoje temos tantos coronéis, que a PM nem tem onde empregá-los, aí empresta para prefeituras. Todas as prefeituras da grande vitória tem Coronéis à disposição, Secretarias de governo, Ministério Público, Tribunal de Justiça. Então, promover e não ter onde empregar, para que?

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