Caso de sindicalista assassinado em Conceição da Barra terá júri popular

Edson Barcellos foi assassinado em 2010. Ex-prefeito Jorge Donati foi condenado como mandante do crime

O júri popular dos cinco acusados do assassinato do sindicalista Edson Barcellos está marcado para ter início na próxima terça-feira (26) no Fórum de Linhares, norte do Estado, com previsão de se estender até a quarta ou mesmo quinta-feira (27 ou 28).

O crime aconteceu em junho de 2010. O corpo de Edson foi encontrado em meio a um eucaliptal nas imediações de Conceição da Barra, com sinais de execução – pés e mãos amarrados, olhos vendados, boca amordaçada e um tiro na testa.

Em outubro de 2016, o Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) levou a julgamento o ex-prefeito de Conceição da Barra, Jorge Donati, acusado de ser o mandato do crime. A decisão, unânime entre os desembargadores, foi por sua condenação a 19 anos de prisão em regime fechado. Em carta pública, Donati negou o crime e, dias depois, morreu em São Paulo, em decorrência de um infarto.

Os cinco réus que irão a júri popular na próxima semana são Oséias Oliveira da Costa, Diego Ribeiro Nascimento, Rodolpho Nascimento do Amaral Ferreira, James Antônio de Almeida e Rondinelli Ribeiro do Nascimento. Eles já confessaram terem executado a morte de Edson e ficaram detidos por cinco anos, tendo sido libertados em 2015, sendo que dois deles chegaram a ser presos novamente, por envolvimento em um assalto em Aracruz.

Na confissão, no entanto, os cinco negaram relação com o ex-prefeito, tendo alegado tratar-se de latrocínio e não crime de mando. Entrando em diversas contradições em seus depoimentos, os criminosos serão agora levados a júri popular, encerrando a peregrinação jurídica a que a família tem se submetido nos últimos nove anos, em busca de Justiça.

“Deus tem nos dado forças em todas as etapas desse espinhoso episódio e derramado sua graça sobre aqueles que conduziram os julgamentos que aconteceram até agora. A justiça divina é inexorável, e a dos homens vem sendo efetuada também”, declarou, em redes sociais, a viúva de Edson, Edma Barcellos, ao anunciar a data marcada para o júri.

“Peço a todos que se unam comigo, meus filhos e a família Barcellos, para que possamos colocar um fim nessa história, com a justiça sendo cumprida. Esperamos que tudo ocorra na paz, para darmos continuidade a nossas vidas mais aliviados e crentes ainda que a justiça tarda mas não falha e que o bem sempre supera o mal”, pede.

Desaforamento

A família também está disponibilizando transporte de Conceição da Barra para Linhares, para que os amigos que quiserem prestar seu apoio não sejam impedidos pela distância que separa os dois municípios.

O pedido de desaforamento para Linhares foi feito por Edma no início do processo de julgamento, a pedido dos moradores de Conceição da Barra, que temiam represálias por parte do então prefeito Jorge Donati. “Tinham medo de morrer”, diz Edma.

E, mesmo após o seu falecimento há mais de dois anos, o medo permanece entre a população. “Até hoje tem gente que não acredita que ele morreu e ainda tem medo dele. Falam que ele está no exterior e ainda manda na cidade”, relata a viúva.

Ameaças

Edson Barcellos era servidor público municipal em Conceição da Barra e muito respeitado na cidade. “A Lei Orgânica do nosso município tem o nome dele como coordenador-geral”, lembra Edma. Segundo ela, Donati pediu apoio de Edson para as eleições em 2008, não sendo atendido, pois Edson não concordava com a postura de Donati, sendo por isso perseguido pelo político. “Donati disse que se o Edson não o apoiasse, não iria apoiar ninguém”, conta a viúva. 

Diante das ameaças, Edson aceitou convite do sindicato dos servidores municipais e passou a trabalhar na entidade, denunciando ataques que o prefeito passou a cometer contra os direitos dos trabalhadores e também os desvios de verbas orquestrados pelo prefeito.

Unanimidade

No julgamento de Donati no TJES, o relator foi o desembargador substituto Marcelo Menezes Loureiro, que condenou Donati a 19 anos de prisão em regime fechado. Todos os demais seguiram o relator e a decisão foi unânime, havendo apenas um pedido de vistas do processo feito pela desembargadora Heloísa Cariello, revisora substituta.

O processo, no entanto, não foi concluído em decorrência da morte do condenado, que teve sua punibilidade extinguida pelo TJES em março de 2017. Edma explica, no entanto, que caso o processo tivesse sido retomado, muito provavelmente não haveria mudança da decisão, por ter sido tomada de forma unânime. “Poderiam no máximo reduzir o número de anos de prisão”, diz.

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