Cineclube visibiliza produção de mulheres negras no cinema

Com sessão infantil e lançamento de livro, Cineclube Afoxé retoma atividades em 2020

Criado em 2017 após aprovação em edital de incentivo para cineclubismo, o Cineclube Afoxé se prepara para iniciar mais uma temporada. Para este ano, algumas novidades mostram o crescimento do projeto ao longo dos anos.

"O cineclube foi pensado como espaço para diálogo entre mulheres negras, queríamos estar juntas e pensar sobre as questões que nos afetam como o racismo e sexismo de forma transversal. Usamos o cinema para isso. Exibimos filmes de diretoras negras, preferencialmente, e exibimos também filmes cujas protagonistas são mulheres negras", explica Barbará Cazé, uma das idealizadoras e coordenadoras do projeto.

Como é comum no movimento cineclubista, após cada filme há um debate para refletir sobre as obras assistidas e as questões levantadas por elas. "Refletimos sobre o modo como somos representadas no cinema e como essa representação nos afeta enquanto mulheres negras que estão produzindo novas narrativas sobre a nossa existência no cotidiano", diz Bárbara, considerando que as mulheres negras estão em diversos espaços do mercado de trabalho, mas recebem os piores salários. "São muitos os desafios. Através do cinema temos refletido sobre essas questões".


Foto: Divulgação/Cineclube Afoxé

Com caráter itinerante, o Cineclube Afoxé já circulou por vários espaços, a maioria deles no Centro de Vitória. Mas a estreia em 2020 será em outro local emblemático, apontando também uma das apostas do projeto desde o ano passado.

A Mangueoteca, biblioteca comunitária localizada em Maria Ortiz, Vitória, será o local da sessão que acontece neste sábado (15), a partir das 17h30. O local tem a presença marcante das crianças, um dos novos públicos-alvo do cineclube. "Nossas crianças precisam aprender a reagir diante do racismo da nossa sociedade. Como mães, percebemos que essa aprendizagem é urgente. Se fortalecemos as nossas crianças com referências positivas de negritude, sobre a história da diáspora africana pelo mundo, enquanto brincamos, a aprendizagem se consolida", considera Bárbara Cazé.

Por isso, o Afoxé buscou uma curadoria atrativa para as crianças, que possa unir o universo lúdico a uma mensagem de fortalecimento da identidade e reflexão sobre questões étnico-raciais. Serão exibidos o curta-metragens Guri, de Adriano Monteiro, e Balú, de Paula Gomes. Guri, gravado na Barra do Jucu, em Vila Velha, conta a história de um menino de 12 anos que se prepara para um campeonato de bolinha de gude, mas se depara com o racismo na escola. Em Balú, um menino sai em busca de seu cachorro desaparecido, o vira-lata Balú, descobrindo nessa procura o mundo à sua volta.


Foto: Divulgação/Cineclube Afoxé

Após a exibição haverá conversas e brincadeiras coordenadas por Bárbara Cazé e Tatiana Rosa, com participação do cineasta Adriano Monteiro. Biblioteca comunitária localizada na varanda de uma casa, a Mangueoteca também realiza eventos que ocupam a calçada e rua por meio de ações culturais e foco no público infantil.

Depois da inauguração da temporada 2020, uma das novidades importantes deste ano para o Cineclube Afoxé será o lançamento do livro Mulheres Negras na Tela do Cinema, que vai ser publicado em março pela Editora Pedregulho, reunindo sete ensaios sobre temas dos curta-metragens exibidos pelo cineclube em 2018.

"As autoras dos textos participaram do debate logo após as exibições. Cada uma delas direcionou a escrita a partir da sua formação específica. Então essa publicação é uma reflexão plural de intelectuais negras sobre as condições de vida das mulheres negras. É nós por nós", pontua Bárbara.

AGENDA CULTURAL

Sessão de Carnaval - Cineclube Afoxé

Exibição dos curta-metragens Guri e Balú

Quando: Sábado, 15 de fevereiro, 17h30

Onde: Mangueoteca - Rua Professora Ilma Anechinni Zumack, 32, Maria Ortiz - Vitória/ES.

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