Coletivo promove empoderamento da população negra no sul do Estado

São cinco anos de lutas e articulações em seis municípios buscando visibilidade e políticas públicas

Com atuação em seis municípios, o Coletivo de Empoderamento e Fortalecimento da População Negra do Sul do Espírito Santo já possui quase cinco anos em ação e realiza nesta quinta-feira (15) uma atividade no Caminhos do Sítio, no distrito de Itaipava, em Itapemirim. Com início às 19h30, haverá atividades como homenagem às mulheres negras de Itapemirim e palestras sobre retratos da escravidão em Itapemirim, com Larissa Machado, e mulheres negras empreendedoras, com Ana Paula Ferreira da Silva.

A história do grupo, remonta a 2014, quando um grupo de pessoas participou da Marcha das Mulheres Negras em Brasília. "A participação do sul do Estado sempre foi muito tímida nas marchas, seminários e outros eventos. E começamos a observar que a implementação de políticas públicas e afirmativas voltadas para a população negra quase não acontece no interior", relata Lucianna Souza, coordenadora-geral do grupo.

Com sede e Itapemirim, o coletivo também possui células em Guarapari, Piúma, Itapemirim, Marataízes, Presidente Kennedy e Cachoeiro de Itapemirim, tendo como pauta principal a população negra, considerando recortes como mulheres, jovens, idosos, LGBT, comunidades quilombolas e pessoas com câncer.

Um dos desafios a se enfrentar é a invisibilidade da população negra na região Sul. Há grande quantidade de negras e negros, incluindo comunidades rurais quilombolas e quilombos urbanos. "Precisamos muito de visibilidade, de ocupar espaços políticos, de aplicabilidade das políticas públicas. O coletivo vem para construir a ideia de que a gente precisa fazer a retomada desses espaços, reivindicá-los e não abrir mão do direito de fala", afirma a coordenadora, lembrando da falta de aplicação de políticas em áreas sensíveis como saúde, educação, inclusão e território.

Lucianna considera que muitas lutas da população negra são comuns em todo Brasil. Mas muitas políticas aprovadas não chegam a ser de fato implementadas. Um exemplo que ela cita é a Lei 10639, sobre ensino de história e cultura afrobrasileira nas escolas, que é pouco aplicada no sul do Estado, assim como na maioria das escolas brasileiras. 

Na área da educação, o município de Itapemirim chegou a receber um curso de educação em relações étnico-raciais, que ajudou na formação de professores e outros profissionais. Valorizar a identidade negra e atrair jovens e mulheres também é outro objetivo importante do coletivo. Foi por meio dele e de parceiros que foram realizadas ao longo do ano oficinas de tranças, turbante e outros.

Desde 2016, o coletivo passou a marcar presença de forma mais atuante em escolas, para trazer um pouco da história da população negra no Brasil e também um pouco da história indígena. No ano seguinte foram realizadas diversas atividades, entre as quais se destacam desfiles de beleza negra, questionando os padrões não só raciais mas também de magreza, altura, entre outros.

Em 2018, houve uma grande expansão para outros municípios, já que antes a atuação era mais forte em Itapemirim e Presidente Kennedy. Também foram realizadas atividades públicas nas praças e parceria com entidade de apoio à vítimas do câncer em Cachoeiro.

Este ano, entre outras atividades, o grupo participou e ajudou a organizar o Encontro Estadual da Juventude Negra, no quilombo de Graúna, em Itapemirim.

O acúmulo com anos de trabalho é grande, embora os desafios ainda sejam enormes. "O Coletivo passou a ganhar espaço, credibilidade, respeito. Mas ainda enfrenta muitas barreiras, como na dificuldade de locomoção para atividades", diz Lucianna. De lá pra cá o coletivo tem participado de importantes conquistas e  avanços graças à pressão, diálogo e ações junto com outros grupos e aliados. Exemplo são leis sancionadas em Itapemirim, como a que inclui a festa da Consciência Negra em Graúna no calendário municipal, a lei de enfrentamento à violência contra a mulher, a instalação da Delegacia da Mulher em Itapemirim, da Casa Rosa para atender mulheres vítimas de violência.

Atualmente o coletivo participa da construção do Conselho da Mulher no município e também luta em outras frentes contra a retirada de direitos junto a outros movimentos sociais.

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