Com caixas milionários, presidentes de partidos não conseguem se reeleger

Lelo Coimbra (MDB) e Magno Malta (PR) receberam as maiores fatias do fundo partidário

Dispor de muitos recursos financeiros nem sempre é garantia de uma campanha eleitoral vitoriosa. As eleições desse domingo (7) comprovam esse fato, com destaque para a derrota do senador Magno Malta, presidente do PR estadual, e o deputado federal Lelo Coimbra, que preside o MDB. Ambos contavam com o caixa cheio na campanha, mas não se reelegeram.

Os dois parlamentares receberam as maiores fatias do bolo do fundo partidário. Lelo obteve R$ 1,5 milhão do MDB Nacional, enquanto Magno R$ 2,7 milhões. No caso do deputado federal, somado aos recursos destinados à campanha também derrotada da deputada estadual Luzia Toledo - R$ 600 mil -, os valores representaram quase a totalidade do fundo, o que gerou reclamações dos demais candidatos do partido. O mesmo ocorreu com Magno, que ao lado da mulher, Lauriete (PR), eleita à Câmara dos Deputados, abocanhou R$ 5 milhões em dinheiro.

O senador, líder das pesquisas até meados de setembro, repetiu em sua campanha os discursos conservadores e as bandeiras que costumam sensibilizar o meio evangélico, principalmente as camadas menos escolarizadas, com o apoio de lideranças de organizados sistemas religiosos. Embora tenha feito palanque para o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), o mais votado disparado no Estado, recebeu muitas críticas por explorar na mídia casos de comoção popular, por meio da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Maus-Tratos.

Magno também passou muitos dias de campanha fora do Espírito Santo, para substituir Bolsonaro em agendas pelo País. Estava numa situação aparentemente confortável até a reeleição, mas, primeiro, viu seu mandato ameaçado pelo delegado Fabiano Contarato (Rede), depois pelo instrutor da Swat, Marcos do Val (PPS). Os dois novatos acabaram desbancando tanto Magno como o senador Ricardo Ferraço (PSDB), demonstrando insatisfação do eleitorado capixaba com o trabalho que desenvolvem em Brasília.

Já Lelo, líder da maioria do governo Michel Temer na Câmara dos Deputados e aliado do governador Paulo Hartung, era considerado no mercado político um dos reeleitos deste ano. Ele obteve expressiva votação, 52,7 mil, mas não entrou devido às regras do sistema proporcional. O presidente do MDB foi mais votado que Lauriete, puxada pelo campeão das urnas que integra sua coligação, Amaro Neto (PRB). No decorrer das campanha, Lelo foi um dos poucos da base palaciana a receber apoio público do governador.

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