Com 'ghost bike', ciclistas vão homenagear jornalista que morreu atropelado

O angolano Luís Felgueira morreu quando andava de bicicleta em Vitória; ciclistas denunciam negligência

Nessa sexta-feira (30), às 18h, como de custume do movimento cicloativista de Vitória, acontece mais uma Bicicletada mensal, atividade que busca fortalecer uma luta por uma mobilidade urbana melhor e mais humanizada. Porém, mais uma vez o ato terá um caráter triste. A ocasião será para fazer uma homenagem a Luís Felgueira, jornalista angolano radicado em Vitória que morreu atropelado quando andava de bicicleta no dia 12 de agosto, para quem será erguida uma “ghost bike”, uma bicicleta pintada de branco que permanece no local do acidente fatal como um monumento de denúncia às mortes no trânsito e falta de ações do poder público para reverter a situação.

O grupo de ciclistas encontrou uma série de inconsistências nos boletins policiais e reportagens da imprensa sobre o caso do acidente que vitimou Luís, aos 32 anos. “Eles minimizam e inclusive mascaram os fatos. Sempre se mascaram as estatísticas reais de morte no trânsito”, considera Hudson Ribeiro, que participa das Bicicletadas. Os jornais informaram que o fato teria ocorrido em Jardim da Penha, mas depois corrigiram que foi na Avenida Norte-Sul, quando na verdade foi na Avenida Dante Michelini. É lá que os ciclistas se reunirão nessa sexta, sendo o ponto de encontro a avenida Dante Michelini, na altura da ciclovia da avenida Norte-sul. O percurso da Bicicletada será definido na hora, durante a concentração.

Foram convidados para o evento o consulado de Angola e familiares de Luís, para acompanhar a homenagem e ajudar a juntar informações para entender o que de fato ocorreu naquele dia 12 de agosto. Hudson e outros ciclistas questionam os fatos relatados, de que o jornalista angolano teria colidido com a traseira de um automóvel e sido atropelado pelo que vinha atrás. “Quem é ciclista entende que para um ciclista bater na traseira de um carro, tem que ter acontecido algo excepcional”, questiona Hudson.

Ele lembra que muitos acidentes que envolvem ciclistas se dão por conta das “finas”, quando automóveis dão “fechadas” nas bicicletas em seu percurso, que poderia ser o que aconteceu no caso de Luís. “A velocidade desses carros, a violência do trânsito, a imprudência dos motoristas, não se fala disso. Sempre se coloca a culpa na vítima, que já está morta”. O pedido é para que esses acidentes sejam de fato investigados, apurando os casos de imprudência e procedendo de acordo com a lei. 

O recado da Bicicletada diz: é preciso compartilhar as vias, diminuir as velocidades e aproximar as pessoas. “Vale lembrar que as mesmas promessas que nossos atuais políticos e gestores de Vitória/ES fizeram após esses acidentes continuam engavetadas. Pouco se avançou por um trânsito mais seguro para as PESSOAS! Onde a vida é mais importante do que um atraso na ida ao trabalho. Onde a atenção, o zelo e a empatia, pelo que divide contigo a via, fazem toda a diferença e salvam vidas”, alerta a Bicicletada no convite para o ato em homenagem a Luís Felgueira.

A Bicicletada se define como “um movimento sem líderes”, com inspiração na Massa Crítica, com realização de eventos toda última sexta-feira do mês, quando ciclistas se juntam para reivindicar seu espaço nas ruas. Os principais objetivos da Bicicletada são divulgar a bicicleta como um meio de transporte, criar condições favoráveis para o uso deste veículo e tornar mais ecológicos e sustentáveis os sistemas de transporte de pessoas, principalmente no meio urbano.

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