Com 'taxa de parada' para ônibus, Edson Magalhães tenta, de novo, salvar Rodoshopping

Usuários, que temem aumento das passagens, pediram audiência pública aos vereadores, mas foram ignorados

Com direito a cara de deboche do presidente, o vereador Wendel Lima (PSD), a Câmara de Guarapari aprovou em sessão extraordinária nessa quinta-feira (5) mais uma medida do prefeito Edson Magalhães (PSD) para resguardar o Rodoshopping, a nova rodoviária municipal, administrada pela concessionária Telavive. A cobrança de “taxa de parada” para ônibus intermunicipais e interestaduais que utilizaram o Rodoshopping foi aprovada por 9 votos a 5. O projeto é de autoria do Executivo.
 
Os usuários temem que o valor da taxa seja repassado para as passagens pelas empresas de transporte. “Vai ter aumento da passagem. Eles falam que não, mas as empresas irão repassar, sim”, diz Iraci Marques, da Associação do Movimento Urbano de Guarapari (Amug). Segundo o projeto, os ônibus intermunicipais com partida do município pagarão R$ 30,24 por veículo. Os que passarem pelo município, R$ 19,76 por veículo. Os ônibus interestaduais irão pagar R$ 9,45 por passageiro. 
 
A sessão foi marcada por protestos dos usuários, que exigiram o adiamento da votação e a realização de audiência pública para debater o assunto. Pedido ignorado, com requintes de chacota. “O presidente da Câmara ficava fazendo cara de deboche para gente”, afirma Iraci. A militante adianta que a Amug irá entrar na Justiça contra o projeto. Uma reunião será agendada para amadurecer a ideia.
 
Ela lembra, ainda, que na sessão de 20 de junho, todos os vereadores assinaram um requerimento de realização de audiência pública para discutir a questão do transporte intermunicipal em Guarapari.
 
A taxa começa e valer em janeiro. A justificativa do projeto é custear a manutenção do Rodoshopping. Com a medida, o prefeito Edson Magalhães mostra, mais uma vez, que não mede esforços para viabilizar o funcionamento do Rodoshopping, cujo contrato de concessão foi assinado em sua gestão, em 2011.
 
Em junho deste ano, o prefeito publicou um decreto ressuscitando a exigência de embarque e desembarque exclusivo de ônibus intermunicipais no local. Após intensa pressão popular, a prefeitura se viu obrigada a recuar e revogar a medida, o que aconteceu um mês depois. O embarque exclusivo significaria um desembolso a mais para os passageiros, que, agora, temem um reajuste por conta da taxa de parada.
 
Em agosto de 2016, o ex-prefeito Orly Gomes (DEM) tentou pela primeira vez determinar o embarque exclusivo por decreto. A população também protestou. Em setembro, o Pleno do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) concedeu decisão liminar em Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) contra a medida promovida pela Federação das Empresas de Transportes do Estado (Fetransportes).
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