Começou mal

Confirmada manobra para ''apagar'' Majeski da CPI da Vale e Arcelor: nem presidência, nem relatoria

A sessão desta segunda-feira (18) da Assembleia Legislativa confirmou os sinais de manobra para retirar do deputado Sergio Majeski (PSB) qualquer protagonismo na condução da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigará os Termos de Compromisso Ambiental (TCAs) firmados no final do governo Paulo Hartung com a Vale e ArcelorMittal e, ainda, a licença de operação concedida à mineradora. Apesar de assinar o requerimento de criação da Comissão, com adesão de mais 25 parlamentares, Majeski não ficou nem com a presidência, nem com a relatoria da CPI. Um documento de apoio à única chapa formada para ocupar os espaços circulou pelo plenário, sem o consentimento do deputado, destinando a ele a vice-presidência no colegiado, um papel secundário nesse tipo de trabalho. Na primeira função de destaque, a presidência, foi consolidada a jogada em favor do líder do “blocão”, Marcelo Santos (PDT), enquanto a relatoria ficou a cargo de Euclério Sampaio (DC), dois parlamentares mais do que alinhados ao governo Renato Casagrande. Já o líder do Governo, Enivaldo dos Anjos (PSD), e Alexandre Xambinho (Rede) são os membros efetivos da CPI que, como tratado aqui na última semana, também excluiu o presidente da Comissão de Meio Ambiente e articulador das assinaturas, Rafael Favatto (Patri), a quem restou apenas uma suplência. E aí, alguma dúvida sobre as tradicionais interferências na Casa quando os alvos são as poluidoras do Estado?  Tudo dominado...

Começou mal II
A apresentação da chapa em plenário por Marcelo Santos causou uma saia justa a Majeski, que teve que aprovar a indicação, mesmo tendo sido preterido das negociações. Ele argumentou contra, lembrou que assinou o requerimento de criação da CPI, mas as reações de alguns membros foram mais de deboche, mesmo.

Outros focos
Outra "surpresinha" desagradável desta segunda. Os membros apresentaram uma proposta de aditamento ao objeto da CPI, incluindo os seguintes temas: como o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) libera projetos a serem executados; e irregularidades na emissão dos chamados Documento de Origem Florestal (DOF) e a possível inexistência de regular fiscalização do órgão responsável, o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf).

Vale tudo
Eraylton Moreschi, presidente da Juntos-SOS, entidade que é crítica dos TCAs e da concessão da licença à Vale e, portanto, defendeu a criação da CPI, aponta a interferência do governo nas articulações, o que culminou com a quebra de uma regra antiga da Assembleia, de sempre entregar a presidência de CPIs ao signatário do requerimento. No caso, Majeski.

Vale tudo II
Outro ponto modificado em relação à CPI do Pó Preto, de 2015, foi não destinar como membros titulares e suplentes da Comissão de Meio Ambiente, já que o assunto é conexo. “Nada nos assusta mais na gestão do governo Casagrande em defesa das empresas da Ponta de Tubarão, em especial a Vale”, disparou Moreschi, lembrando, também, da indicação de Alaimar Fiuza como diretor-presidente do Iema, após 30 anos de carreira na mineradora.

Registro necessário
O presidente da Juntos-SOS questiona ainda a postura de Marcelo Santos, que em 2015 se declarou sem isenção para participar da investigação, pois havia sido financiado pela Vale e Arcelor. “Seu critério hoje não sei qual é, mas ele trabalhou arduamente para presidir a CPI. Muito estranho, muito estranho”, repetiu.

Difícil
Mas ainda há, para Moreschi, “alguma esperança” na relatoria de Euclério e na postura de Enivaldo, que nos últimos anos vem pedindo reiteradamente a prisão dos gestores da Vale. O ambientalista lança, porém, a dúvida. “Vamos ver como ele se comportará agora, que é líder do governo”. É...veremos!

'Time Bolsonaro'
A sessão da Assembleia contou com defensores do Escola Sem Partido, que foram devidamente uniformizados com a camisa do projeto. Na condução dos trabalhos, o vice-presidente da Mesa Diretora, Torino Marques (PSL), resolveu parar tudo para fazer gracejo: “bonita camisa, quero uma”. 

Hora do teste 
No Senado, a CPI de Brumadinho, presidida por Rose de Freitas (Pode), irá ouvir o ex-presidente da Vale, Fabio Schvartsman, nesta quinta-feira (21), às 9 horas. A convocação é a primeira medida oficial adotada pela comissão, instaurada na última semana na Casa. Um bom termômetro para conferir a atuação dos membros do colegiado.

Raio-x
Já na Câmara dos Deputados, Da Vitória (PPS) propôs um “debate aprofundado” sobre as condições de trabalho dos policiais e bombeiros militares. Ele citou o estudo realizado pela Universidade Federal do Estado (Ufes) que aponta a idade média de vida dos policias capixabas de 58,66 anos, além de lembrar do movimento de 2017 e que o Estado paga o pior salário do país aos PMs.

PENSAMENTO:
“Só há uma maneira de lutar contra o poder: é sobreviver-lhe”. Voltaire

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1 Comentários
  • Juan Carlos Galante , terça, 19 de março de 2019

    A impressão deixada é a de que Majeski ainda não compreendeu que não o querem por perto. Acorda Deputado! Alijado da SEDU, da presidência da comissão da educação, agora dessa CPI. Mesmo sendo do PSB, nada, absolutamente nada o impede de ser oposição. Vamos lá Deputado! Continue lutando pela educação: 40 HORAS JÁ para o magistério capixaba. Pela alteração do artigo 29 da Lei 5.580 de 13/01/1998.