Como o Centro de Vitória constrói seu Plano Comunitário

Palestras, passeios e reuniões comunitárias compõem construção de projeto autônomo, sem a tutela do Estado

Nesta semana o Centro de Vitória dá mais um passo rumo à elaboração de seu Plano Comunitário, que busca construir sem a tutela do Estado uma pauta de reivindicações e melhorias para a região. O movimento vem sendo construído ao longo deste ano em parceria entre a Associação de Moradores do Centro (Amacentro), a Associação Cultura Capixaba (Cuca) e outros grupos aliados, a partir de um projeto de extensão junto à Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

Nesta quarta-feira (25), às 19h, na sede da Fafi, estão convidados Fernando Braga e Luiz Gustavo Glaber, para falar sobre os planos de mobilidade para a cidade de Vitória, e Letícia Tabachi para comentar sobre o Plano Metropolitano e o Centro de Vitória.

Uma das inspirações para a construção do Plano Comunitário do Centro vem do Território do Bem, conjunto de bairros da Capital que inclui Itararé, São Benedito, Jaburu, Bonfim, Bairro da Penha, Floresta, Consolação e Engenharia, pioneiro nesse tipo de experiência na cidade.

"O Centro possui um sítio histórico importante não só para o município mas para o Espírito Santo. Temos expoentes da cultura, vários segmentos do que se chama de economia criativa, como música, artesanato, gastronomia e outros", diz Cristiane Martins, da Associação Cultural Capixaba (Cuca). Ela entende que faltam políticas específicas para o desenvolvimento e fortalecimento da região, sendo que o Plano Comunitário ajuda a mobilizar a população local para pensar questões importantes, entre elas o fortalecimento da economia criativa e de políticas habitacionais populares para ocupação de imóveis vazios.

A construção do plano não passa apenas por palestras e reuniões, inclui também passeios de reconhecimento do bairro, para observar a riqueza histórica existente, gerar pertencimento nos moradores e mostrar que se trata de um bairro vivo e dinâmico, ajudando a desmistificar o discurso de que "o Centro está morto", que abre espaço para processos de gentrificação, quando processos de reformas e valorização terminam por expulsar a população mais pobre do local. 

Um primeiro tour já foi feito por meio do projeto Jane's Walk, que a partir de dezembro deve realizar outras atividades, uma com o mesmo trajeto, que passa pela Cidade Alta, e outras por localidades como a região da Vila Rubim e Parque Moscoso, envolvendo assim boa parte do chamado Centro Histórico.

O encontro desta quarta-feira será o primeiro de quatro buscando ampliar o conhecimento da comunidade sobre os planos existentes que regulam a cidade e região metropolitana. Fernando Braga e Luiz Gustavo Glaber devem abordar a questão da mobilidade em sua relação com a habitabilidade, baseado em estudos que mostram a relação entre a qualidade de vida e a velocidade das vias. 

Fernando considera preocupante que embora haja um discurso por parte do Estado de resgate e revitalização do Centro, algumas obras como a ampliação do Porto de Vitória vão no sentido contrário do que acontece no resto do Brasil e do mundo, privilegiando a logística para os commodities em detrimento da qualidade de vida das pessoas em regiões densamente habitadas. A criação de espaços de convivência, Ruas Vivas e restrições ao uso de carro são considerados por ele medidas que impactam positivamente na qualidade de vida.

Letícia Tabachi vai falar sobre a importância da valorização dos centros urbanos para reduzir as desigualdades, promovendo acessos a serviços, equipamentos, deslocamentos, cultura e lazer. Também apresentará o que está colocado sobre essas questões no Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado (PDUI), que engloba a Região Metropolitana da Grande Vitória.

Em novos encontros, que devem acontecer até o mês de novembro, serão abordados temas como o planejamento comunitário do Fórum Bem Maior no Território do Bem, os estudos sobre o porto e a cidade portuário, o Plano Diretor Urbano e o PDUI, e o Portal Sul e os planos de mobilidade.

Depois dessa fase de informação e conhecimento, com base no material coletado, serão feitas reuniões comunitárias para começar a construir propostas coletivas de fortalecimento da região a partir dos anseios de sua comunidade.

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