Comunidades acadêmicas da Ufes e do Ifes preparadas para 'Ato 30M'

Federais do País fazem ato conjunto nesta quarta em solidariedade à UFPR, afixando faixas em seus campi

A Comissão de Mobilização para o Ato 30M, que será realizado nesta quinta-feira (30) pelas comunidades acadêmicas da Universidade Federal do Estado (Ufes) e do Instituto Federal (Ifes), definiu a programação para o dia de protesto contra os cortes anunciados pelo Governo Bolsonaro na educação pública. Na Grande Vitória, estão previstas panfletagens, aulas públicas e rodas de conversa. Haverá também mobilizações no interior. Professores, servidores e estudantes da Ufes decidiram paralisar suas atividades nesta quinta em assembleias realizadas respectivamente por seus sindicatos de classe e pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE).

Na tarde desta quarta-feira (29), um ato simbólico e em conjunto foi realizado em solidariedade à Universidade Federal do Paraná, onde um grupo que participou das manifestações pró-bolsonaro no último domingo (26) arrancou, em apoio ao presidente, uma faixa colocada em frente à sede da reitoria com o dizer: “Em Defesa da Educação”. As federais do País vão afixar em seus campi, simultaneamente, faixas com o mesmo dizer. Na Ufes, o local escolhido foi o Teatro Universitário. 


Foto: Leonardo Sá

Antes disso, logo cedo, por volta das 6h30, uma panfletagem foi realizada em frente ao portão central da Ufes, com o objetivo de mobilizar a comunidade acadêmica. No primeiro ato, realizado no dia 15 deste mês (15M), um público estimado em 10 mil pessoas lotou avenidas da Capital, como Reta da Penha, Avenida Vitória e Nossa Senhora dos Navegantes, com destino à Assembleia Legislativa. 

30M

Uma das integrantes da Comissão de Mobilização para o Ato 30M, a professora da Ufes Ana Carolina Marsilha explica que, desta vez, a programação está centrada no ato, sem muitas atividades previstas para o dia.

Poucos eventos estão programados para o campus de Goiabeiras. "Os desafios para a área de Letras no Brasil atual" é tema de aula pública que será realizada, a partir das 8 horas, na escadaria do Teatro Universitário, organizada por docentes e estudantes das áreas de Linguística, Literatura e Línguas Estrangeiras do Departamento de Línguas e Letras da Universidade. Haverá compartilhamento de textos, música e performance poética.

Já o Movimento Mulheres em Luta ES (MML-ES) e o Centro Acadêmico Livre de Serviço Social (CALSS) estarão à frente de uma roda de conversa sobre a Reforma da Previdência, às 15h30, também em frente ao Teatro Universitário. Antes, das 8 às 11 horas, será realizada a Mesa Redonda “A Superexploração da Força de Trabalho no Brasil Contemporâneo”, no Edifício Didático.

Em Alegre (sul do Estado), onde há campus da Ufes, um ato será realizado na praça Seis de Janeiro a partir das 16h30. Os manifestante levarão cartazes e trabalhos científicos para exposição. Haverá uma aula pública e momento de manifestação individual.

Duas Passeatas

Assim como no ato do último dia 15, duas passeatas em Vitória vão deixar o campus da Ufes, em Goiabeiras, e da sede do Ifes, em Jucutuquara, por volta das 16h30. Dessa vez, com destino à Secretaria de Estado da Educação (Sedu). 

Tendo à frente a União Nacional dos Estudantes (UNE), a manifestação 30M tem apoio do movimento estudantil capixaba em todos os níveis e esferas (como a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas - UBES), além dos diretórios e grêmios estudantis das instituições de ensino. E, ainda, de movimentos sociais e de sindicatos ligados à área da educação e de servidores da Ufes e do Ifes, como Sindiupes (professores da educação pública estadual e municipais), Sintufes (servidores da Ufes), Sinasefe (servidores do Ifes) e Adufes (docentes da Ufes). 

O novo ato também é considerado um "esquenta" para a Greve Geral contra a reforma da Previdência, que ocorre no dia 14 de junho. Para os organizadores, será mais um dia de luta e reforço da defesa da educação pública, gratuita e de qualidade, e, portanto, contra o anúncio de cortes de 30% da verba destinada às universidades federais feito pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub. 

A justificativa para os cortes, segundo o ministro, seriam “gastos excessivos” das instituições de ensino com eventos e atividades desnecessárias que ele mesmo nomeou como “balbúrdias”. Abraham Weintraub, que inicialmente anunciou um corte de 30%, em seguida, se contradisse, anunciado índices menores. Nesse domingo (26), o próprio presidente Jair Bolsonato, que havia chamado os manifestantes de “idiotas úteis”, disse que, na verdade, seriam “inocentes úteis”. Reforçando a fala do ministro, Bolsonaro alegou que foram 3,6% de “contingenciamento” no total de recursos ou 30% de 12% das despesas discricionárias. 

O reitor da Ufes, Reinaldo Centoducante, chegou a anunciar que a universidade perdeu R$ 20 milhões, valor que já não consta no sistema de receita. Já o Ifes informou que só tem verbas para funcionar até setembro deste ano.

Leia Também:

Comente Aqui
Confirme seu comentário no e-mail em até 48 horas para mantê-lo ativo.
Atenção caros leitores, comentários com link não serão mais aceitos. Evite ser bloqueado.
0 Comentários

Seja o primeiro a comentar.

Matérias Relacionadas

Decreto de Bolsonaro que extinguiu cargos na Ufes e no Ifes pode ser suspenso 

MPF pede que decisão que exonerou mais de 200 profissionais comissionados seja anulada 

Professores da Ufes param dias 2 e 3 outubro e greve não está descartada

Haverá ainda mobilização envolvendo os três segmentos da Ufes para debater o desmonte das universidades

Estudantes da Ufes buscam alternativas para evitar evasão diante dos cortes

João Victor Santos aponta que suspensão de bolsas ameaça estudos de alunos cotistas, negros e pobres

Trabalhadores dos Correios entram em greve por tempo indeterminado no Estado

Categoria reivindica reajuste salarial e manutenção de direitos como tíquete e plano de saúde