Conselho LGBTI reivindica da Secretaria de Segurança formação para policiais

Conselho para Promoção da Cidadania e dos Direitos Humanos LGBTI entregou pauta ao secretário Roberto Sá

Em reunião com a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), representantes do Conselho para Promoção da Cidadania e dos Direitos Humanos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (CELGBT) reivindicaram capacitação dos servidores da área da segurança para o atendimento à comunidade, além de reforçar a importância da presença de um servidor da pasta nas reuniões do Conselho.

O encontro foi realizado com o secretário de Estado da Segurança Pública, Roberto Sá, nessa terça-feira (26). Na ocasião, foi apresentada também uma pauta de reivindicações do Conselho para proteção e defesa da população LGBTI no Espírito Santo.

O presidente do CELGBT, Fábio Veiga Silva Pires, destacou a importância da abertura de diálogo com os representantes da área da Segurança Pública. “É muito importante sermos recebidos pelo secretário diretamente. Apresentamos nossas ideias e pautas. Desde o ano passado, havíamos entregado os documentos e espero que possamos avançar a partir de agora”, falou.

De acordo com os representantes do Conselho, existe uma cadeira de participação da Sesp, que eles esperam ser ocupada, para o acompanhamento das informações da comunidade LGBT. Segundo ele, o secretário Roberto Sá afirmou que irá definir, o mais rápido possível, quem será designado para participar dos encontros.

O secretário disse que também tem interesse em melhorar o atendimento à população LGBT no Estado, incluindo a postura dos policiais. “A gente não quer ninguém sofrendo preconceito, nem sendo revitimizado em determinadas situações. É importante o policial ter a oportunidade de saber como vai tratar essas minorias”, afirmou.

Dados mais recentes do Ministério dos Direitos Humanos - que agora se chama Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos - mostram que, até julho de 2018, o governo recebeu 85 denúncias de assassinatos de LGBT. Durante todo o ano de 2017, foram 193 comunicações que chegaram ao Disque 100. Ainda não há um balanço consolidado das vítimas do ano passado inteiro.

Em outubro do ano passado, logo após a eleição do presidente Jair Bolsonaro, a Rede Nacional de Operadores de Segurança Pública (Renosp-LGBTI) lançou uma cartilha com dicas de segurança para gays, lésbicas, bissexuais, transexuais, travestis e intergênero.

A Rede, criada em 2011, é formada por policiais, agentes penitenciários, vigilantes ou outros profissionais que atuam na área de segurança pública e que assumiram publicamente a homossexualidade. São delegados, policiais civis e militares, bombeiros, guardas e agentes prisionais, que passaram a não mais esconder a orientação sexual dos colegas de trabalho e a lutar contra o preconceito.

A cartilha, cujo texto foi escrito pela 2ª sargenta da Marinha Brasileira, Bruna Benevides, oferece dicas de segurança. Entre elas ter atenção é o fator primordial para proteção ao andar nas ruas, não estando distraído com músicas ou ligações, além de evitar fone de ouvido com volume extremo onde houver aglomeração de pessoas ou em transportes públicos, especialmente se estiver só. 

“A intenção destas dicas é o cuidado com você e suas manas. Não queremos criar pânico, mas é importante resistirmos com o mínimo de segurança e controle da situação sempre que possível. Lutamos muito para sair do armário e não iremos admitir voltar para lá. Não deixe de fazer as coisas que você gosta. Não ceda ao medo. Altere sua rotina até onde se sentir confortável. Se aproxime de pessoas queridas e vamos marcar de dar um abraço sempre que possível. Compartilhe esta cartilha de dicas de segurança com amigos, amigas e amigues. Ela pode ajudar as pessoas a se sentirem mais seguras e confiantes para transitar no dia a dia. Essas dicas foram pensadas por diversos agentes e setores de inteligência da segurança pública”, diz o texto.

Ante a apreensão do novo presidente eleito e seu discurso contra minorias, uma rede de apoio jurídico para ameaçados e agredidos LGBT passou a ser divulgada nas redes sociais, a Reaja. Logo em seguida, circulou a informação de que seria uma rede fake, utilizada para colher informações sobre as vítimas. O grupo, no entanto, é real, formado por diversos coletivos e organizações não governamentais (ONGs). 

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